Cadastro bem-sucedido!
Por favor, siga o link da mensagem enviada para
 - Sputnik Brasil
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

COVID-19: sistema de saúde de Manaus à beira do colapso

© AP Photo / Edmar BarrosCorpo de vítima da COVID-19 é transportado por agentes de saúde, em Manaus (AM), 17 de abril de 2020
Corpo de vítima da COVID-19 é transportado por agentes de saúde, em Manaus (AM), 17 de abril de 2020 - Sputnik Brasil
Nos siga no
A prefeitura de Manaus comunicou nesta terça-feira (21), em função do aumento de enterros, ter adotado o sistema de "trincheiras" para vítimas da COVID-19.

As autoridades da cidade especificaram que "a metodologia, já usada em outros países, preserva a identidade dos corpos e laços familiares, com a distância entre caixões e com a identificação de sepulturas".

Marcelo Seráfico, sociólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas, lamentou o fato de Manaus ter mobilizado a atenção do Brasil e do mundo em função dos "efeitos trágicos do coronavírus sobre a população e, particularmente, sobre os mais pobres".

Segundo o sociólogo, o avanço da contaminação, que já soma mais de 2.300 casos confirmados e cerca de 170 óbitos, está intimamente associado à situação social vivida pela maioria dos habitantes da cidade e à precarização dos serviços públicos, de um modo geral, mas particularmente os de saúde.

"Com desemprego próximo a 13% da população econômica ativa, informalidade que beira 40%, bairros marcados pelo adensamento de moradias e por domicílios hiper adensados, a propagação do vírus encontra condições extremamente favoráveis. Esse quadro se agrava ainda mais por conta da insuficiência de leitos de UTI - que são cerca de 370, entre públicos e privados - para atender os casos mais graves da doença, da dificuldade de se criar um sistema de produção de informação e acompanhamento da evolução da doença em meio ao colapso, e de dispor dos recursos humanos e materiais necessários para evitar o pior", disse Marcelo Seráfico à Sputnik Brasil.

O especialista acrescentou que os problemas não são de hoje e que foram evidenciados pela "agressividade do vírus e a negligência histórica de governos que vem fragilizando há tempos o Sistema Único de Saúde e favorecendo o avanço dos serviços privados".

"O resultado dessa imprevidência, dessa imprudência e irresponsabilidade são os containers com corpos, as covas coletivas, os enterros em massa, famílias destroçadas e uma cidade em que o medo paira no ar", disse o professor.

Para ele, as autoridades demoraram para agir e os problemas médicos se misturam aos políticos.

"A demora inexplicável do governo federal para oferecer apoio aos trabalhadores desempregados, aos autônomos, aos pequenos empresários para se manterem em isolamento social; o estímulo criminoso do senhor presidente da república para que as pessoas desrespeitem essa orientação; e a liquidação progressiva do SUS revelam-se, em Manaus, condições políticas agravantes da calamidade sanitária vivida pela cidade", concluiu o entrevistado.

População não respeita quarentena

Melka Franco Guimarães, médica pediatra em Manaus, reiterou a importância do isolamento e destacou que as pessoas não têm respeitado o isolamento social na cidade.

"Apesar de todos os dados, da gente ter a pior taxa de incidência e a pior taxa de mortalidade do país as pessoas estão na rua. O negócio está feio para a gente. O sistema não vai colapsar, já colapsou, isso já aconteceu", disse médica para Sputnik Brasil.

Ela destacou a importância de conscientizar a população sobre os riscos, mas acredita que a situação pode piorar ainda mais na capital do Amazonas.

"Isso tudo gera vários sentimentos [...] passam desde a aceitação à impotência. Mesmo tentando comunicar, as pessoas continuam saindo sem necessidade. Infelizmente vai piorar ainda, já temos mais de 2 mil casos e muita gente não está ligada no que está acontecendo. É agoniante jogar essas palavras ao vento, mas vai piorar ainda, porque os servidores e agentes de saúde estão ficando doentes", concluiu Melka.
Feed de notícias
0
Antigas primeiroRecentes primeiro
loader
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала