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Investigadores do caso Marielle querem ouvir porteiro novamente

© ©Futura Press/Folhapress Vista da portaria do condomínio Vivendas da Barra no Rio de Janeiro (RJ), onde mora o presidente Jair Bolsonaro.
 Vista da portaria do condomínio Vivendas da Barra no Rio de Janeiro (RJ), onde mora o presidente Jair Bolsonaro.  - Sputnik Brasil
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O porteiro do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, pode ser ouvido novamente pelos investigadores do assassinato da vereadora Marielle Franco. 

O objetivo é apurar se ele mentiu ao afirmar que alguém da casa número 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro, autorizou o acesso de um dos suspeitos do crime, o ex-Policial Militar Élcio de Queiroz, no dia do crime. A informação foi publicada pelo jornal O Globo. 

De acordo com dois depoimentos prestados pelo porteiro, quem autorizou a entrada de Élcio ao local foi alguém da casa 58, identificado pelo funcionário como "seu Jair". O ex-PM, no entanto, seguiu para a residência do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, outro suspeito do assassinato da parlamentar carioca. 

A menção ao nome de Bolsonaro fez com que o Ministério Público remetesse parte da investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo O Globo, os investigadores, no entanto, acreditam que não há impedimento para ouvir novamente o porteiro, pois ele não tem direito a foro especial.

Logo após o depoimento inicial vir a público, as promotoras do caso Marielle deram uma coletiva de imprensa para divulgar uma perícia nos áudios da portaria entregues ao MP. Segundo a análise, a voz que autorizou a entrada de Élcio no condomínio é de Ronnie Lessa, e não de Bolsonaro. O presidente, na época então deputado, assinou presença na Câmara dos Deputados no dia em que Marielle foi morta. 

Sindicato dos Peritos aponta falhas na análise dos áudios

Segundo o Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Rio de Janeiro (Sindperj), "o exame foi feito por técnicos do Ministério Púbico, e teve como objeto um CD apresentado pelo síndico do condomínio, não havendo assim a apreensão dos equipamentos do sistema de portaria". Para a entidade, "uma prova técnica robusta e incontestável só pode ser produzida com respeito à cadeia de custódia e com a devida Perícia Oficial da mídia original e do equipamento original no qual foi gravada". 

No sábado (2), Bolsonaro afirmou que "pegou" os áudios da portaria "antes que fossem adulterados", sendo acusado por adversários de obstrução da Justiça. 

'Que obstrução?'

Em entrevista concedida à TV Record na noite de domingo (3), ele negou que essa tenha sido sua intenção. "O que eu fiz foi filmar a secretária eletrônica com a respectiva voz de quem atendeu o telefone. Só isso, mais nada. Não peguei, não fiz backup, não fiz nada. A memória da secretária eletrônica está com a Polícia Civil há muito tempo. Ninguém quer adulterar nada", disse. 

Ele também se referiu a um vídeo publicado na semana passada por seu filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro. "Que obstrução? Apenas eu falei com meu filho, ele foi na portaria, como qualquer um dos 150 moradores do condomínio podem fazer. Colocou a data 14 de março do ano passado, entrou nas ligações da minha casa e para a casa dele, ele botou o áudio e filmou esse áudio. Nada além disso", rebateu.

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