Ativista: Extremistas estão desestabilizando 'coletes amarelos' para prolongar o caos

© AFP 2022 / Abdulmonam EassaManifestantes constroem uma barricada durante um protesto dos Coletes Amarelos (Gilets jaunes) contra o aumento dos preços do petróleo e os custos de vida.
Manifestantes constroem uma barricada durante um protesto dos Coletes Amarelos (Gilets jaunes) contra o aumento dos preços do petróleo e os custos de vida. - Sputnik Brasil
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O movimento de protestos da França está sendo sequestrado por extremistas da direita e da esquerda que querem usá-lo como instrumento de desestabilização, disse Rodolphe Kujawa, ativista dos protestos em entrevista à Sputnik França.

"Esse amálgama que surgiu agora serve para desestabilizar o movimento. Diferentes atores estão tentando tirar proveito desse movimento, porque há pessoas por trás dele com um grande poder", defende.

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Kujawa acredita não existir uma linha de comportamento comum, já que tanto sindicatos quanto a extrema-direita se juntaram ao movimento.

O primeiro-ministro Edouard Philippe cancelou uma reunião com membros do movimento de "coletes amarelos" na terça-feira depois destes receberem ameaças de morte.

Kujawa confirmou à Sputnik que ativistas que defendem objetivos mais liberais estão sendo ameaçados em redes sociais e por mensagens de texto.

"Os grupos de extremistas estão por trás dessas ameaças destinadas a desestabilizar o movimento. O movimento hoje é um movimento de desestabilização", disse ele.

Quatro pessoas foram mortas nos distúrbios desde o início dos protestos. As passeatas começaram contrárias  aos aumentos nos impostos sobre combustíveis, mas desde então se ampliaram para incluir demandas de  estudantes, médicos e outras categorias. Isso levou a confrontos com a polícia em Paris no fim de semana.

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Na tentativa de conter a insatisfação popular, o governo revogou o aumento do diesel por seis meses. O premiê francês anunciou a medida na terça-feira, depois de semanas de violentos protestos que aumentaram a rejeição nacional contra uma série de políticas econômicas. Para Rodolphe Kujawa, porém, a medida "é muito curta e só prolongará o inevitável".

"Acho que o adiamento tem que ser muito mais longo. Precisamos congelar o imposto por pelo menos um ano", disse ele, acrescentando que isso provaria que as autoridades "realmente estão dispendendo tempo para pensar em melhorias".

Kujawa diz ainda que agora a população espera participação mais direta na formulação de medidas de efeito amplo e um fim às reformas impopulares.

"Acho que não será suficiente para acalmar [o povo] porque as pessoas querem mais hoje".

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O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o aumento de impostos faz parte da transição ecológica da França. Sua aprovação bateu um novo recorde negativo na terça-feira, de acordo com uma pesquisa da Ifop. Eleito como a grande novidade da política francesa, Macron é aprovado agora por 23% da população, o menor nível desde o início do governo.

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