- Sputnik Brasil
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

China na América Latina: que países ganham no intercâmbio com gigante asiático?

© REUTERS / Ueslei MarcelinoUm caixa recebe notas venezuelanas de bolívar em um mercado no centro de Caracas, Venezuela
Um caixa recebe notas venezuelanas de bolívar em um mercado no centro de Caracas, Venezuela - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
As relações entre a China e os países da América Latina começaram há 40 anos. Desde então, os laços vão fortalecendo, ocupando a China hoje em dia os primeiros lugares na lista dos parceiros da região.

"Uruguai estabeleceu as relações com a China relativamente tarde. Apesar disso, se alguém tiver que fazer uma perspectiva destes últimos dez anos, diria que é a relação mais equilibrada que possa haver na América Latina", afirmou à Sputnik Mundo o cientista político Eduardo Oviedo, especializado na Ásia. Oviedo participou como conferencista principal do evento dedicado ao 30º aniversário das relações bilaterais entre a China e o Uruguai.

Bandeiras nacionais dos EUA e da China - Sputnik Brasil
China busca apoio da Europa para barrar a agressão comercial dos EUA
Para o especialista, o gigante asiático ocupa o lugar central na América Latina, embora nos últimos anos alguns países tenham ganhado e outros perdido nas relações bilaterais. Os dois ganhadores principais são o Brasil e o Chile, acredita Oviedo.

"No caso do Brasil, praticamente dois terços das reservas internacionais, que são quase 380 bilhões de dólares [R$ 1,3 trilhão], provêm do superávit comercial com a China", um êxito que tem sido "diferente do resto dos países por ter havido saldos favoráveis excessivos nos últimos anos baseados em duas commodities fundamentais que são a soja e o mineral de ferro", apontou o cientista argentino.

A seu ver, a estabilidade financeira do Brasil tem sido sustentada nos últimos anos graças à relação extraordinária com a China, da qual também disfruta o Chile. Santiago tem cerca de 39 bilhões de dólares (R$ 131 bilhões) na reserva provenientes do intercâmbio com Pequim e nos últimos dez anos teve um superávit de quase 48 bilhões de dólares (R$ 162 bilhões).
Peru, assim como o Uruguai, tem uma relação equilibrada com a China.

Sobretaxa americana ao aço custaria ao Brasil US$ 3 bilhões por ano, segundo a CNI - Sputnik Brasil
Na questão do aço, EUA deixam o Brasil entre a cruz e a caldeirinha
A Argentina, por sua vez, é diferente, demonstrando uma "década perdida" em termos de intercâmbio, embora isso se deva ao objetivo de buscar exportações com maior valor agregado.

"A Argentina tem aplicado uma política de retenções a suas exportações de grãos, deixando de exportar o grão de soja, mas exportando o produto industrializado", explicou Oviedo.

Desta maneira, o país acrescenta um pouco de valor àqueles produtos que acabam em mercados como o europeu ou norte-americano, a razão pela qual "há mais complementaridade com outros países do que com a China, porque a China somente compra o grão de soja", concluiu.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала