- Sputnik Brasil
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

Na questão do aço, EUA deixam o Brasil entre a cruz e a caldeirinha

© Michael Mathes/AFPSobretaxa americana ao aço custaria ao Brasil US$ 3 bilhões por ano, segundo a CNI
Sobretaxa americana ao aço custaria ao Brasil US$ 3 bilhões por ano, segundo a CNI - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
Os Estados Unidos praticamente deram um ultimato ao Brasil: ou o governo acerta com as siderúrgicas uma cota de exportação de aço para o mercado americano, ou Washington vai sobretaxar os embarques em 25% e em 10% sobre os de alumínio. Oficialmente o prazo para definição do assunto é o próximo dia 30.

O presidente Donald Trump diz que os atuais acordos prejudicam a siderurgia americana e colocam em risco o emprego de 54 mil trabalhadores e que a concorrência com outros países tem sido prejudicial aos EUA. Depois do Canadá, o Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para o mercado americano —32% do total da produção brasileira vão para os EUA, onde muitas siderúrgicas brasileiras também atuam.

Operário olha detrás de rolos de aço enquanto secretário do trabalho, Seth Harris, fala com trabalhadores em Cuyahoga Height, Ohio. - Sputnik Brasil
Notícias do Brasil
Temer é 'imprescindível' para negociar tarifas com Trump, diz Instituto Aço Brasil

Logo após o anúncio da possibilidade de sobretaxação, siderúrgicas brasileiras com papeis em Bolsa já amargaram quase US$ 2 milhões em perda de valor de mercado. Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, caso a sobretaxação aconteça, o Brasil perderia US$ 3 bilhões por ano no mercado de aço e US$ 144 milhões no de alumínio.

Falando à Sputnik Brasil, Juliana Inhasz, professora de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), vê com preocupação o cenário atual e admite ser bem provável que o governo brasileiro não ceda às exigências americanas e os EUA cobrem as sobretaxas.

"A situação está cada vez mais difícil para que o Brasil consiga sair dessa sobretaxa. Independente de a gente estar falando do aço e do alumínio, Trump tem falado desde o início de seu mandato que a condição brasileira junto ao comércio americano é muito mais favorável ao Brasil do que aos EUA. Essa tentativa de que o Brasil estabeleça cotas está muito em linha com a tentativa de fazer em algum momento com que o Brasil não consiga cumprir essas cotas, fazendo o país cair nessa sobretaxa", afirma a professora. 

Para Juliana, a situação é preocupante porque o aço é um produto com participação expressiva em nossa pauta de exportação. Segundo ela, a balança comercial ajudou o Brasil a evitar um vexame maior no desempenho econômico dos últimos anos, e  a possibilidade de uma retomada mais sustentável do crescimento pode estar, sim, ameaçada. Além disso, ressalta, também no mercado doméstico a situação também está a cada dia mais complicada, por conta das fragilidades institucionais.

"A gente está falando de um setor (aço) estratégico, que emprega muita gente e que tem alavancado bastante a economia. Aparentemente essa guerra comercial está a cada dia mais próxima e só vai trazer custos para todos os lados. Eles vão sofrer também porque vão perder muitos contratos, acordos comerciais, porque, de alguma forma, todos vão querer salvar seu lado, e vamos começar a fazer uma das maiores guerras comerciais da história. É bom a gente continuar na torcida, mas ficar com o radar alerta, porque a gente vai ter que pensar em formas melhores de crescer e de contornar, ainda que parcialmente, os efeitos negativos dessas medidas", finaliza Juliana.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала