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Comunidade global, não mercado global: Correa e Mujica discutem os perigos da globalização

© AP Photo / Dolores OchoaNew UNASUR President Jose Mujica, President of Uruguay, left, speaks while Ecuador's President Rafael Correa, listens during the UNASUR summit in Guayaquil, Ecuador, Thursday, Dec. 4, 2014
New UNASUR President Jose Mujica, President of Uruguay, left, speaks while Ecuador's President Rafael Correa, listens during the UNASUR summit in Guayaquil, Ecuador, Thursday, Dec. 4, 2014 - Sputnik Brasil
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O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, discutiu com seu colega uruguaio, José 'Pepe' Mujica, como a globalização pode se tornar menos prejudicial e mais benéfica para a humanidade em geral do que para as corporações ricas.

Mujica foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015, ganhando o apelido de "presidente mais pobre do mundo" devido a sua insistência em morar na fazenda de sua esposa e dirigir um velho Fusca — sua única propriedade importante ao tomar posse — para ir ao trabalho. Em sua juventude, ele foi um campeão dos pobres, um guerrilheiro e depois um prisioneiro sob uma junta militar, passando 13 anos em péssimas condições.

Os dois ex-chefes de Estado latino-americanos se reuniram para o último episódio de 'Conversas com Correa', da RT, para discutir como a inevitável globalização pode se tornar um benefício para a humanidade e não uma ameaça à sua existência, e como a desigualdade econômica está conectada com muitas injustiças no mundo.

A globalização hoje é impulsionada pelos interesses do lucro e da eficiência econômica, disse Correa. Mas isso não é um dado, ele acredita.

"Temos que assumir uma posição estratégica no contexto da globalização — uma globalização que criaria uma comunidade global, não um mercado global; uma globalização que produziria cidadãos globais, não consumidores globais", comentou.

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"Uma das injustiças da globalização hoje é que ela defende a liberdade de circulação de bens ou capital, mas restringe a liberdade de movimento para as pessoas, quando se trata de pessoas que vivem nos países mais pobres", acrescentou.

A reação da Europa ao afluxo de refugiados do norte da África e do Oriente Médio em 2015 é característica disso, concordou Mujica.

"Esta é talvez a pior das coisas acontecendo globalmente hoje. Discriminação pela Europa, sua falta de vontade de receber imigrantes", ponderou. O Uruguai, durante seu mandato, concordou em aceitar 40.000 refugiados, apesar de ser um país pequeno e relativamente pobre, observou.

As nações europeias não apenas suprimiram a África durante seu passado colonial, mas também usaram sua força econômica hoje para minar a capacidade da África de participar da globalização, por exemplo, tornando sua agricultura não competitiva, disse Mujica.

"Meu cabelo fica em pé quando ouço que a Alemanha exporta 40% de seu trigo para a África. Há uma diferença, no entanto. O governo alemão subsidia seus agricultores para produzir trigo. Caso contrário, eles seriam incapazes de produzir trigo a um custo competitivo. Os agricultores alemães recebem subsídios. E então eles dão empréstimos a países africanos para que eles comprem seu trigo. Desta forma, eles prejudicam os agricultores africanos que cultivam sorgo e outras culturas. A política hoje é toda sobre tais contradições", contou.

A situação em que os países mais pobres têm menos a ganhar e mais a perder com a globalização é outro exemplo de como a desigualdade econômica causa sofrimento e às vezes até impede que as pessoas admitam que um problema existe em primeiro lugar.

"Você sabe, eu acho, a carteira de um homem é o seu órgão mais sensível", disse Mujica, descrevendo esse fenômeno. "Felizmente, existem exceções. Mas isso é verdade com muitas pessoas. E os direitos humanos passam pelo filtro desse órgão de uma forma ou de outra".

Tal cegueira, quando aplicada ao mundo em geral, é uma ameaça genuína à existência da humanidade, continuou Mujica, porque é o que faz as pessoas ignorarem os danos causados ao meio ambiente pelo capitalismo irrestrito.

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"Trinta anos atrás, cientistas em Kyoto [Japão] previram que os eventos extremos estariam acontecendo com cada vez mais frequência e se tornariam cada vez mais intensos. E eles nos disseram o que precisa ser feito. Mas essa religião do mercado nos impede de cumprir essas normas", relembrou.

"Todas as decisões políticas são impotentes diante do mercado todo-poderoso. Como as novas medidas podem reduzir os lucros, o que vemos agora são pessoas como o atual presidente dos Estados Unidos que nem quer reconhecer a mudança climática e outras ameaças", concluiu.

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