Analista: Trump gosta de blefar e Washington não está em posição de atacar Síria

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Lançamento de míssel Tomahawk (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Terminou o prazo de 48 horas que Trump determinou para tomar uma decisão sobre um ataque contra a Síria. Os EUA não empreenderam nenhumas ações, mas as publicações ambíguas do presidente norte-americano no Twitter fazem os analistas de todo o mundo apresentar suas versões sobre o possível desenvolvimento da situação.

Que medidas militares pode Trump usar contra a Síria? Que consequências terá um possível ataque dos EUA para a região e será o presidente estadunidense capaz de declarar guerra a outro país?

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A Sputnik Persa falou com Alexander Azadegan, professor de Geopolítica na Universidade da Califórnia, para saber sua opinião a este respeito.

"Conforme a Constituição estadunidense, é o Congresso e não o presidente do país que pode declarar guerra. O problema é que agora temos uma ‘presidência imperial'. Desde os anos de Nixon e os tempos da guerra no Vietnã que o papel do presidente fica cada vez mais relevante, o que, de fato, contradiz as exigências dos pais fundadores dos EUA", explicou.

No que diz respeito a um possível ataque, o professor frisou que "os leitores da Sputnik são bastante perspicazes e sabem que Trump gosta de blefar".

"No seu tweet, Trump ameaçou seriamente a Rússia. Mas na realidade, ele não tem nenhum apoio prático. Por isso, todas essas ações têm apenas um caráter de ameaça, é um tipo de ofensiva psicológica para semear o medo. Agora Washington não está em posição de realizar qualquer ataque", opinou Alexander Azadegan.

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Ele lembrou que, no ano passado, os EUA lançaram 59 mísseis Tomahawk contra a Síria. Em resultado, 28 mísseis foram repelidos pela defesa aérea síria. Os EUA não empreenderão nenhumas ações que os possam fazer perder novamente a face, sublinhou.

"Claro que Washington está muito assustada com presença da Rússia na Síria, que lá tem bases militares permanentes. A Rússia não pretende deixar a Síria por causa dos erros tontos cometidos por Washington nos últimos 10-15 anos. Os EUA sentem que estão perdendo o controle. Eles já deixaram o Iraque, que mais tarde se aproximou do Irã.

Os EUA estão perdendo posições em várias frentes na região, por isso, não acho que acontecerá uma nova guerra na Síria", disse Alexander Azadegan.

O professor lembrou que os EUA não têm direito de estar na Síria, muito diferente da Rússia e Irã, que são aliados do governo sírio. Para Alexander Azadegan não há dúvida que, em caso de um ataque dos EUA contra a Síria, Moscou e Teerã vão defender seu aliado.

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Em toda essa situação tem um momento bastante sensível: o Irã, estando presente na Síria, vira "vizinho" de Israel.

"Se o número de militares e bases iranianas aumentar na Síria, aumentará a ameaça por parte de Israel. Por isso, o último ataque da aviação israelense contra a base síria T-4 foi dirigido exclusivamente contra os militares iranianos", assinalou professor.

Neste caso, a resposta dos militares iranianos a essa situação é bem lógica: se os israelenses podem se aproximar do Irã, estando presentes no norte do Iraque, a República Islâmica tem o direito análogo de virar "vizinho" de Israel na Síria implantando suas bases lá.

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