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Satélite europeu será usado para avaliar devastação da Amazônia

© AFP 2022 / CHRISTOPHE SIMON  / Abrir o banco de imagensRio Amazonas
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O Brasil firmou um acordo com a União Europeia para cuidar melhor de suas florestas e de outras áreas devastadas através de dados de satélites. Especilistas conversaram com a Sputnik Brasil sobre as perspectivas dessa cooperação para o Brasil.

Celebrado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o acordo possibilitará a utilização de dados do satélite Sentinel, do programa Copernicus, mantido pela ESA, Agência Espacial Europeia. Segundo o Ministério, o acordo estabelece a participação do Brasil no programa Copernicus e determina que o acesso aos dados dos satélites Sentinel ficará sob responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao MCTIC.

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Em entrevista à Sputnik Brasil, a cientista da computação Adriana Thomé, Chefe da Seção de Relações Internacionais do Inpe, explicou a origem e as próximas etapas do acordo do Brasil com a União Europeia. 

Segundo ela, “para que o acordo seja efetivamente concretizado, resta ainda firmar mais duas etapas, representadas por dois acordos de arranjos técnicos no sentido de o Brasil como se dará, efetivamente, a utilização de dados captados pelos satélites do Copernicus". 

Para Adriana Thomé, o início efetivo da utilização dos dados do satélite europeu pelo Brasil pode acontecer a partir do próximo ano.

“Nossa previsão é de que a utilização dos dados do satélite Sentinel pelo Brasil se dê entre o final de 2019 e o início de 2020. Precisamos construir obras de infraestrutura, a partir da ligação submarina de fibra ótica que será feita pela União Europeia, partindo de Lisboa, em Portugal, e chegando à Fortaleza, capital do Ceará. Já a nossa tarefa será construir a estrutura que conduzirá esta rede de fibra ótica de Fortaleza até São José dos Campos, São Paulo, sede do Inpe”, explicou. 

Na opinião da cientista, o Brasil terá grandes avanços com a utilização destas observações, pois, segundo ela, "com estes acordos ajustados com a União Europeia, o Brasil dará um grande salto de qualidade na observação dos efeitos dos fenômenos climáticos e da devastação em áreas que deveriam estar rigorosamente protegidas como as regiões da Amazônia e do Cerrado”.

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Já o engenheiro ambiental e oceanógrafo David Zee, professor da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), disse à Sputnik que  “o Brasil, com as dimensões continentais dele, precisa realmente de um olhar do espaço". 

Segundo ele, "este monitoramento pelo uso de satélites europeus vai ser de grande utilidade para se acompanhar a devastação na Amazônia e em outras regiões". 

"A tecnologia vai possibilitar melhor observação da destruição, das ações humanas e, também, das ações empreendidas para recuperar estas regiões. É muito importante contar com um aparato tecnológico destes porque, só através dele, poderemos ter melhor visão sobre esta imensidão formada pela Amazônia devido à sua relevância não só para o Brasil como para o contexto mundial", destacou. 

O especialista disse também que “este acordo com a União Europeia permitirá ao Brasil utilizar equipamentos de altissima tecnologia para 'furar' as nuvens e ter melhor observação das áreas devastadas por ações humanas ou erosão natural. E é também através desta observação mais apurada que poderemos ter exata noção dos recursos naturais que a Amazônia tem a oferecer ao Brasil”.  

Foi destacado também que, além da Amazônia, o Cerrado também terá grandes ganhos de observação e monitoramento com o sistema europeu a ser utilizado pelo Brasil. Segundo David Zee, os reflexos destes cuidados se estenderão das florestas aos oceanos.

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