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Suíça quer dar um ‘chocolate’ em europeus e fechar antes acordo com o Mercosul

© Ronald Zak/APPresidente Alain Berset quer negociar ampla pauta com o bloco sul-americano
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Preocupada em não perder importantes mercados para países da União Europeia (UE), a Suíça resolveu acelerar as conversações com o Mercosul para fechar um acordo antes dos europeus e assegurar assim a possibilidade de novos negócios junto a um mercado de 240 milhões de consumidores no bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Marília Pimenta, coordenadora dos cursos de Relações Internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), vê na pressa dos suíços um bom momento não só para o bloco sul-americano como especialmente para o Brasil, que nos últimos dois anos viu suas exportações para o país caírem quase 50%.

As negociações entre Mercosul e UE, que tiveram uma nova rodada de negociações nesta semana em Assunção, no Paraguai, têm agora a expectativa de que um acordo entre os dois blocos possa ser fechado no mês que vêm, caso França e Irlanda — dois sócios da UE que têm fortes lobbies no agronegócio — concordem em flexibilizar a pauta de exportações de commodities do grupo sul-americano.

"Eles estão correndo atrás, assim como o Reino Unido, agora com o Brexit, porque temem perder mercado. A corrente comercial com o Brasil é muito interessante para a Suíça com muito valor agregado. Em 2016, 95% e em 2017, 91% das exportações brasileiras para lá foram de produtos industrializados, como semimanufaturados e manufaturados, carnes, frutas em geral, café, cereais, preparações alimentícias, tabaco, produtos químicos e farmacêuticos tecidos e pedras preciosas", diz a coordenadora de cursos da FECAP.

Na pauta de exportações da Suíça para o Brasil, Marília destaca a predominância de produtos como café, chocolates, plásticos, papéis especiais, máquinas, instrumentos de cutelaria, instrumentos de fotografia e artigos químicos e farmacêuticos, grupo este em que o país pode perder mercado para países como França e Alemanha, que contam com importantes indústrias neste setor.

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A corrente de comércio entre os dois países é favorável aos suíços. Em 2017, o Brasil teve um déficit comercial de US$ 1,18 bilhão com a Suíça, resultado de um decréscimo de 52% nas exportações brasileiras para lá. Em 2016, o Brasil exportou para lá US$ 1,65 bilhão, enquanto em 2017 os embarques ficaram em US$ 792 milhões, resultado puxado pelas menores vendas de calçados e alumínio. Ainda assim, o Brasil aumentou de US$ 1,8 bilhão em 2016 para US$ 1,9 bilhão as importações da Suíça. A professora da FECAP lembra que, embora a Suíça não faça parte da UE, ela integra a Associação Europeia de Livre Comércio, entidade formada na década de 60 por Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia.

Com relação a uma eventual oferta de serviços financeiros por parte da Suíça, Marília vê a possibilidade como algo bastante comum hoje dentro dos atuais conceitos de negociação entre blocos.

"O mercado financeiro é uma pauta que está muito presente. Hoje, negociar acordos de livre comércio não é mais negociar apenas tarifas e produtos, a pauta do mercado financeiro sempre esteve presente, e com a Suíça também estará. Com o Reino Unido essa é uma pauta já presente. Grupos de investimento suíço têm interesse em atuar (no Mercosul) e aí acho que isso entra no pacote", diz Marília.

A FECAP, a mais antiga instituição de ensino de comércio do Brasil, está se preparando para o novo cenário de acordos internacionais, e lançou duas plataformas de pós-graduação, uma em Negócios Internacionais e outra em Comércio Exterior, com professores de renomada experiência internacional no setor. Neste sentido, há vários projetos em andamento, como o firmado com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) que começará agora em março e que prevê atender a 190 pequenas e médias empresas da região da Grande São Paulo em seus processos de internacionalização. Segundo Marília, o avanço das negociações internacionais entre os vários blocos exige cada vez mais a formação de profissionais especializados que compreendam a nova dinâmica da discussão desses acordos, e o Brasil precisa de qualificação para não perder espaço no novo cenário.

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