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Ex-assessor de Reagan defende 'desconfiança' de Kim e rearmamento nuclear de Seul

© AP Photo / Ministério da Defesa da Coreia do SulLançamento de mísseis durante treinamentos conjuntos entre EUA e Coreia do Sul em 5 de julho de 2017
Lançamento de mísseis durante treinamentos conjuntos entre EUA e Coreia do Sul em 5 de julho de 2017 - Sputnik Brasil
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É perfeitamente compreensível que o líder norte-coreano Kim Jong-un não confie nos Estados Unidos e que, assim, se recuse a abrir mão das suas armas nucleares. Ao mesmo tempo, é aceitável que a Casa Branca aceite que a Coreia do Sul volte a ter armas nucleares, a fim de aumentar a pressão sobre Pyongyang.

Estas são algumas opiniões de Doug Bandow, que foi assessor especial do ex-presidente dos EUA, Ronald Reagan, nos anos 1980. Em um artigo intitulado 'Por que deveria a Coreia do Norte acreditar nos EUA?', publicada neste domingo pelo jornal sul-coreano Korea Times, o norte-americano afirmou que Washington precisa falar menos e agir mais.

"Kim deveria acreditar no secretário [Rex] Tillerson? Sem querer ofender o secretário, mas diplomatas e seus equivalentes estão mentindo desde a primeira negociação no início dos tempos […] Por que alguém deveria acreditar mesmo no presidente Donald Trump?", analisou Bandow, para quem o histórico de ‘traições’ dos EUA pede cuidado.

O ex-assessor de Reagan relembrou quando o então líder líbio Muammar Kadhafi aceitou não avançar em suas metas nucleares, chegando até a receber lideranças dos EUA em Trípoli. Não muito tempo depois, a Casa Branca levou a campo os seus planos para derrubar Kadhafi, o que acabou acontecendo após um sangrento conflito civil.

"Ninguém sabe quem virá após o presidente Trump. Se Kim se desarmasse, o que impediria uma mudança de posição semelhante em Washington? Se o secretário Tillerson quiser convencer Kim Jong-un que os EUA não buscam a expulsão do ditador norte-coreano, os EUA precisam atuar. Isso significa reduzir constantes ameaças verbais e militares contra o Norte", explicou.

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Bandow também advoga em favor de uma demanda de Pyongyang: a retirada de todas as tropas norte-americanas da Coreia do Sul – um contigente de 28.500 soldados. Para ele, Seul “é capaz de se defender” sozinha, devendo adotar “políticas necessárias para impedir o Norte de atacar e vencer a guerra”, se algum conflito armado explodir na Península da Coreia.

A medida mais polêmica sugerida pelo ex-assessor de Reagan, um político republicano como Trump, é permitir que a Coreia do Sul volte a ter armas nucleares, algo que não acontece desde um acordo entre Washington e Seul, em 1991. Segundo ele, sem as tropas dos EUA ao sul, que estaria então municiado de armas nucleares, Pyongyang não teria alternativa a não ser recuar.

"O secretário Tillerson está certo em tentar tranquilizar a Coreia do Norte sobre as intenções dos EUA. Mas somente se Washington parar de atacar a RPDC é que o país asiático provavelmente não verá necessidade de um ataque nuclear contra a América. Os políticos da Washington devem decidir se eles acreditam que a defesa da Coreia do Sul vale colocar em risco o povo americano", concluiu.

O posicionamento de um ex-nome ligado à Casa Branca aparece no momento em que partidos de oposição e setores da sociedade sul-coreana questionam se não é o momento do país readotar armas nucleares.

"Não podemos lutar contra o Norte com as próprias mãos [vazias]", disse ao jornal Korea Herald o parlamentar Jeong Yong-ki, porta-voz do Partido da Liberdade da Coreia, opositor ao presidente Moon Jae-in. "É hora de estarmos em pé de igualdade com as armas nucleares da Coreia do Norte".

Por ora, o governo sul-coreano promete manter a sua política de desnuclearização completa da península, o que significa não se engajar em uma corrida nuclear com Pyongyang.

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