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Cemitério de navios: como a Marinha ucraniana se 'afundou' após colapso da URSS

© Sputnik / Sergei Mamontov / Abrir o banco de imagensCruzador de mísseis Ukrayina no Estaleiro Naval de Nikolaev, Ucrânia
Cruzador de mísseis Ukrayina no Estaleiro Naval de Nikolaev, Ucrânia - Sputnik Brasil
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Recentemente, no centro da cidade ucraniana de Nikolaev se reuniram os residentes locais para enfrentar o premiê do país, Vladimir Groisman. Entre os manifestantes, estavam os trabalhadores do estaleiro local, que gostariam de perguntar ao político quando receberiam seus salários atrasados há 2 anos.

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Porém, Groisman foi alertado sobre o protesto pelas autoridades municipais e mudou o plano da sua visita à cidade, evitando se encontrar com os manifestantes. O observador da Sputnik Zakhar Vinogradov conta como a frota ucraniana "se afundou" após o colapso da URSS.

Berço de porta-aviões

Na realidade, a cidade pacata de Nikolaev era no passado um dos locais estratégicos da União Soviética no qual se focava a atenção de todos os serviços secretos ocidentais, pois nos três estaleiros locais trabalhavam dezenas de milhares de engenheiros e operários, criando a frota do país.

Os porta-aviões soviéticos e outros navios de combate — cruzadores, fragatas, corvetas, etc. — eram desenvolvidos e construídos precisamente aqui, em Nikolaev. Foi daqui que o porta-aviões Admiral Kuznetsov, que hoje em dia é uma das "pérolas" da Marinha russa, se dirigiu à costa setentrional.

"Com o colapso da URSS, a construção de porta-aviões perdeu atualidade. O império morreu, bem como a necessidade de desenvolver navios militares deste nível", diz o editor-chefe da maior edição local Gorod N, Anatoly Onofreichuk.

O principal especialista em tecnologia dos estaleiros do Mar Negro, Yaroslav Kovalenko, concorda que apenas tais impérios como os EUA e a URSS, na época, poderiam se dar ao luxo de criar tais navios, já que estes "custam bilhões". Já depois, na Rússia veio a consciência de que a enorme pressão econômica relacionada com a construção de porta-aviões, em particular, tinha sido uma das razões da queda do "império".

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Kovalenko recorda que na época os navios eram construídos "em cadeia", como hoje em dia, por exemplo, a empresa Ford monta os automóveis.

"Houve tempos nas vésperas do colapso da União Soviética, em que todas as três semanas saía um grande arrastão de refrigeração. Construímos 110 deles", contou.

Hoje em dia, na fábrica se produzem entre 3 e 5 navios deste tipo, assinala o autor do artigo.

Cemitério naval

Vinogradov ressalta: tudo que não tinham conseguido construir nas vésperas do colapso soviético, ficou parado no estaleiro de Nikolaev.

Porém, uma história ainda mais "terrível" ocorreu no estaleiro vizinho do mar Negro, cujos operários foram se manifestar às ruas durante a visita do premiê ucraniano.

Nesta fábrica, já na época da decadência soviética, estava sendo construído um cruzador que deveria ser entregue à Marinha da URSS. Porém, esta colapsou antes que a construção do navio fosse terminada.

"A nova Ucrânia independente, no ano distante de 1991, decidiu terminar a construção deste cruzador, mas já para si. A partir do momento, passaram 26 anos. O cruzador, pronto para sair ao mar mas sem os armamentos instalados, continua no amarradouro de Nikolaev. A Ucrânia não conseguiu encontrar os recursos para seu armamento", explica o observador.

Ademais, há pouco se revelou que, depois de 2014, o Ministério da Ucrânia recusou o navio por completo, contou o chefe do sindicato da fábrica, Nikolai Golovchenko.

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"Agora, estamos em uma situação ridícula. Não podemos nem deixar esse navio, nem mantê-lo, por isso somos obrigados a preservar todos os sistemas da embarcação. Porém, o governo da Ucrânia não nos paga nem um centavo por isso", exclama o ativista, afirmando que os operários têm de sustentar o cruzador à sua custa, enquanto nem Poroshenko, nem Groisman "sabem responder o que é que sucederá ao cruzador Ucrânia".

'Vida após a morte' da construção naval ucraniana

A "morte" da construção naval em Nikolaev, nas palavras do autor, foi rápida, mas não momentânea. De acordo com os interlocutores de Vinogradov, na época pós-soviética ainda havia esperança e promessas por parte das autoridades. Porém, pouco a pouco o centro mundialmente conhecido de construção de porta-aviões e outros navios de combate da URSS se tornou em uma cidade pacata e provinciana da Ucrânia.

"Na nossa fábrica, poderíamos produzir quaisquer equipamentos de combate, inclusive terrestres, poderíamos produzir artigos de uso cotidiano. Mas ninguém precisa disso, o Estado ao qual pertencemos nos voltou às costas", se afligiu Golovchenko.

De acordo com ele, as autoridades atuais, norteando-se pela União Europeia e pela OTAN, não querem desenvolver, ou, melhor dizer, restaurar a sua própria indústria, pois recebem os armamentos da Europa. Por isso, parece que o cruzador Ucrânia se tornou inútil.

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Comentado o conteúdo do artigo de Vinogradov, o vice-premiê russo Dmitry Rogozin afirmou nas suas páginas do Facebook e Twitter que "os colegas ucranianos não veem outra utilidade para sua construção naval senão levar café aos fuzileiros navais estadunidenses".

Rogozin fez lembrar que em dezembro de 2013, por ordem do presidente russo, ele junto com especialistas militares russos visitou o estaleiro de Nikolaev para "determinar as perspectivas de cooperação".

"Acolheram-nos muito bem, acordamos um plano de cooperação. Passado um mês, começou a fase ativa do golpe em Kiev, e todas as nossas esperanças de restauração dos laços econômicos estreitos com a Ucrânia, bem como a última chance para a construção naval ucraniana ressuscitar — tudo isso morreu", contou, adiantando que na sequência, a Rússia foi obrigada a iniciar o processo de substituição de importações na área, inclusive começar a criar turbinas navais na fábrica russa de Saturn.

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