Por que Israel não está interessado na paz na Síria?

© AP Photo / Ariel SchalitSoldados israelenses monitoram a fronteira Israel–Síria
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Após a trégua alcançada no sul da Síria, Israel tem vindo a criar barreiras à instauração da paz neste país árabe. Um jornalista russo analisa os motivos que podem levar o país hebraico a complicar a situação.

No dia 7 de julho, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, anunciou que militares da Rússia, Estados Unidos e Jordânia haviam elaborado um memorando para o estabelecimento de uma zona de desescalada no sudoeste da Síria.

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Esta região, que inclui as províncias de As-Suwayda, Quneitra e Daraa, tem sido durante muito tempo um obstáculo para as negociações com vista a estabelecer a paz na Síria, escreve Pavel Volkov em um artigo para o jornal Vzglyad.

Atualmente, as tropas de Assad controlam a maior parte da província de As-Suwayda, que se encontra na fronteira entre a Síria e a Jordânia, enquanto que as forças da oposição e os extremistas do Daesh e da Frente al-Nusra (grupos terroristas, proibidos na Rússia) continuam na província de Daraa que, por sua vez, faz fronteira com as colinas de Golã, se recusando a depor as armas e a negociar a trégua.

"Não é difícil chegar à conclusão que os confrontos continuam a afetar a zona de desescalada situada perto das colinas de Golã, uma área sensível para Israel",destaca Volkov.

O jornalista presta especial atenção ao fato de que durante muito tempo Israel não participou da regularização da situação na Síria, mas quando a Rússia e os EUA conseguiram chegar a um acordo, as autoridades israelenses apareceram no palco e começaram a criar problemas.

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Assim, em 16 de julho, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se manifestou contra o plano de cessar-fogo alcançado pela Rússia e os EUA.

Do seu ponto de vista, o acordo oferece ao Irã a possibilidade de consolidar a sua presença militar na área e, alegadamente, lhe dá carta branca para o estabelecimento de uma plataforma a partir da qual pode lançar uma "guerra santa" contra Tel Aviv.

Por sua parte, o chefe do Comitê de Assuntos Internacionais da câmara alta do parlamento russo, Konstantin Kosachev, declarou em sua página do Facebook que a resistência de Tel Aviv não é razoável já que o acordo, alcançado por ambas as partes, cria as condições necessárias para que a guerra civil na Síria termine. Além disso, o político apontou para o fato de que o Irã é um importante ator do processo de negociação, sem o qual a situação na Síria não pode ser resolvida.

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