China expulsa França da costa ocidental africana

© Sputnik / Valeriy Melnikov / Abrir o banco de imagensCapital de Mali, Bamako
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O chanceler chinês, Wang Yi, está realizando visitas à Mauritânia, Cabo Verde, Mali e Costa do Marfim. Se trata da segunda missão do ministro chinês à região africana desde o início do ano, destacam especialistas entrevistados pela Sputnik.

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A missão diplomática visa apoiar o acesso da China aos recursos naturais destes países e aos portos no oceano Atlântico, disse à Sputnik China Dmitry Bondarenko, do Instituto da África da Academia das Ciências da Rússia. O especialista destaca que para a China não tem países que a interessem em primeiro ou em segundo lugar. Tal como acontece na América Latina, a China quer abarcar todo o continente, sem prestar atenção aos regimes políticos existentes em alguns países.

"Na África Ocidental os interesses da China colidem de modo significativo com os da França. A Mauritânia, Mali, Costa do Marfim e Níger são antigas colônias francesas. Nos últimos anos a China tenta ativamente expulsar a França desta região. A zona é muito rica em recursos naturais, mas muito difícil em termos de estabilidade política", frisa Bondarenko.

O especialista explica que não tem nada de novo no interesse da China na África, pois o objetivo principal é econômico, ligado ao acesso às riquezas naturais da África. No caso de Cabo Verde, se trata do peixe, a Costa do Marfim é rica com vários recursos naturais. As missões diplomáticas são destinadas a ajudar a China a avançar nesta direção.

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Bondarenko também destaca que a infraestrutura dos portos na África Ocidental é pouco desenvolvida, o que também pode entrar na esfera dos interesses da China. O interesse nesta área pode ser explicado pelo desejo ter portos equipados para responder às necessidades crescentes das companhias navais da China.

Jia Lieying, diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Línguas de Pequim, por seu lado, acredita que o interesse da China na África tem a ver com o avanço da Nova Rota da Seda.

"A missão do chanceler Wang Yi na África mostra o estatuto deste continente na diplomacia chinesa. Em primeiro lugar, todos os países africanos são países em desenvolvimento e a China é o maior país em desenvolvimento no mundo. Eles têm ligações muito estreitas. São unidos pela luta contra os colonizadores e pela independência", diz Jia Lieying.

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Depois dos anos 60, a maioria dos países africanos após a proclamação da independência aderiu a muitas organizações internacionais. Por exemplo, a ONU começou a integrar novos países em desenvolvimento, o que teve influência no desenvolvimento da própria organização e ajudou a China a realizar o seu papel na ONU, considera especialista chinês.

"Do ponto estratégico a China estimula o desenvolvimento regional, inclusive com o avanço do conceito 'Um Cinturão e Uma Rota'. O fórum internacional recém-realizado em Pequim, dedicado à cooperação no âmbito da nova Rota da Seda, acelerou muito a realização deste projeto. Os países da África são uma região benéfica para a Rota da Seda", afirma Jia Lieying.

Os líderes mundiais não visitam frequentemente os países pouco desenvolvidos da África Ocidental. Por isso a visita do chanceler chinês à Mauritânia, Cabo Verde, Mali e Costa do Marfim é um passo muito forte no apoio político a estes países pela China. Isto contribui para reforçar a autoridade destes países tanto aos olhos dos próprios africanos, quanto em todo o mundo.

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