Cenário sírio na Venezuela: terceiros países podem aprovar uma intervenção militar?

© AFP 2022 / INTI OCONPresidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala e gesticula durante um encontro com o Comitê Executivo do Foro de São Paulo em 11 de janeiro de 2017
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala e gesticula durante um encontro com o Comitê Executivo do Foro de São Paulo em 11 de janeiro de 2017 - Sputnik Brasil
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A chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou nesta quarta-feira (26) que o país iniciará os procedimentos para se retirar da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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Este procedimento complexo vai durar dois anos, mas primeiro o país deve pagar sua dívida à organização no valor de cerca de 9 milhões de dólares (R$ 28 milhões).

Lembramos que no início de abril o conselho permanente da OEA aprovou uma resolução sobre as violações graves à democracia na Venezuela. O documento exige que Maduro restitua todos os poderes da assembleia nacional, onde a oposição tem a maioria.

O diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais da Academia Russa de Economia e Serviço Público junto do presidente da Rússia, Aleksandr Chichin, partilhou suas ideias em uma entrevista ao serviço russo da rádio Sputnik.

O especialista considera que a saída da Venezuela desta organização era apenas uma questão de tempo, porque as ilusões da Venezuela sobre a independência dos países-membros da OEA e sobre a não ingerência nos assuntos inteiros se dissiparam. "A sede da organização está localizada em Washington, por isso é claro de onde vêm as iniciativas."

Ao mesmo tempo, o especialista frisou que nem todo o povo da Venezuela está contra o seu presidente, como está sendo apresentado na Organização dos Estados Americanos.

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"Não existe um movimento único contra Maduro, o país está dividido em dois campos. Existe um movimento de protesto contra Maduro, bem como existe o apoio do povo. Mas na OEA a situação está sendo apresentada com sentido único – todo o povo está contra", disse Chichin.

O que vai perder a Venezuela?

Sem dúvida, segundo o especialista, que o clima político se tornará mais desfavorável, o país vai perder posições na classificação de riscos financeiros e será mais difícil atrair investimentos. Chichin disse que, caso a comunidade internacional decida ajudar a democracia no país, serão possíveis várias medidas – econômicas, políticas e mesmo militares.

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"Colocando uma estampilha de pária, é preciso considerar a ameaça até de uma intervenção militar de países terceiros que queiram apoiar a oposição interna", disse o especialista, acrescentando que, caso o conflito se agrave até uma crise militar, "a Colômbia pode se tornar uma cabeça-de-ponte para o apoio à oposição".

O que a Organização dos Estados Americanos vai perder?

O especialista pensa que a organização está seguindo um plano para expulsar todo o bloco bolivariano, países como a Nicarágua ou Bolívia são os próximos nesta lista.

"O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, já está sendo pressionado de todos os lados e seu país será o próximo a ser expulso", disse Chichin.

Todo o bloco de países socialistas e de orientação popular está vivendo um período muito difícil. Estes países parecem campos militares assediados, para os quais não há lugar nas organizações mundiais.

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