'OTAN busca neutralizar Rússia para se tornar único ator militar global'

© REUTERS / Radu SighetiSoldado britânico em exercícios militares da OTAN no leste da Europa em 21 de abril de 2015
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A OTAN se encontra em uma escalada de tensão tanto militar como informática com Moscou e tem por objetivo "neutralizar a Rússia" para se tornar o "único ator militar global", assegurou o deputado europeu da Esquerda Unida, Javier Couso, durante conferência em Madri.

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Na opinião de Couso, a estratégia da OTAN e da União Europeia contra Rússia é "muito agressiva" e busca — através de ferramentas militares e controle da opinião pública — "impedir retorno à paridade estratégica no panorama global".

O deputado e vice-presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu considera que as sociedades ocidentais estejam perante uma "regressão fluída de pensamento" que "não nos permite compreender o que está acontecendo", pois o mundo está "se reposicionando politicamente" e tais mudanças estão acontecendo a uma grande velocidade.

"As guerras se desenrolam através de uma vertente militar, mas também através de uma vertente não militar", explicou Couso, referindo-se a "guerras de 4ª geração ou de baixa intensidade" nas quais são utilizados "elementos não convencionais".

Ademais, continuou o analista, as organizações não governamentais, como a Open Society (Sociedade Aberta) de George Soros, desempenham um papel importante dentro destes elementos não convencionais, já que se dedicam a "subverter a ordem internacional" e "elevar a temperatura da panela de pressão [onde é cozinhada] a guerra informativa".

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Segundo Couso, hoje em dia, a Rússia está no centro destas estratégias comunicativas. Já, no passado, no centro estavam outros países como Cuba, Venezuela ou Síria, acrescenta.

Em outras palavras, os EUA, através da OTAN e com o apoio da UE, seguem tentando impor "uma agenda globalizadora neoliberal", atribuindo à Rússia um "papel subalterno, contido, desindustrializado e inclusive perturbador".

Neste sentido, Couso assegurou que Washington continua atuando em concordância com as teorias de Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter.

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Segundo o político, as teorias de Brzezinski, que se referem à Eurásia como parte essencial para a dominação global dos EUA, continuam sendo uma "substância cinzenta" da política exterior de Washington e podem ser percebidas através das declarações proferidas durante as cúpulas da Aliança no País de Gales e em Varsóvia que "assinalam diretamente a Rússia como principal inimigo da OTAN".

"Estas palavras foram acompanhadas por tais ações como, por exemplo, as manobras perto do Kaliningrado russo e os envios de tropas para perto da fronteira", explicou Couso.

"A partir de 1997, OTAN começa sua expansão para o Leste" e, entre outras coisas, "são rompidos os acordos verbais adotados após o colapso da União Soviética sobre o não posicionamento das forças estratégicas ocidentais perto da fronteira da Rússia", insistiu o deputado europeu.

O deputado da Esquerda Unida assinalou como parte do "cerco", que esta sendo estabelecido em torno da Rússia, a resolução do Parlamento Europeu contra as mídias russas "propagandistas" como a Sputnik e o canal RT.

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