Luta por Mossul poderá se tornar 'uma catástrofe total'

© REUTERS / StringerMilitantes do Estado Islâmico na cidade de Mossul no Iraque
Militantes do Estado Islâmico na cidade de Mossul no Iraque - Sputnik Brasil
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A liberação de Mossul dos rebeldes poderá acabar sendo uma "catástrofe total" para o exército iraquiano e para coalizão liderada pelos EUA, escreve o coronel norte-americano aposentado Daniel Davis em um artigo para The National Interest.

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Embora a operação apenas tenha começado na segunda-feira à noite (17), neste momento já há sinais de que a coalizão irá enfrentar problemas sérios. Mesmo antes da operação se iniciar já era claro que as forças que combatem o Daesh (organização terrorista, proibida na Rússia) têm pela frente vários obstáculos políticos e diplomáticos e ultrapassá-los será muito mais difícil do que combater os extremistas na cidade, disse Davis.

Em primeiro lugar, a batalha por Mossul poderá terminar em desastre para os civis. A ONU teme que milhões de pessoas tenham de abandonar suas casas e as organizações internacionais não têm dinheiro para "se prepararem totalmente para o pior cenário".

Parece que as autoridades iraquianas estão tentando minimizar a crise humanitária e pedem às pessoas que não deixem suas casas e procurem refúgio na cidade. Ao mesmo tempo, o Daesh impede a saída de habitantes de Mosul. As autoridades não indicaram como eles irão abastecer a população com alimentos, água e medicamentos caso os combates se prolonguem, lembra o autor.

Mas o principal problema é que os Estados Unidos esperam terminar guerra no Iraque se baseando em um "plano imaturo" e uma "coalizão frágil". Neste momento Washington espera combater o terrorismo com o apoio de várias forças com interesses opostos, opina o coronel Davis.

Militant Islamist fighters take part in a military parade along the streets of northern Raqqa province in this June 30, 2014, file photo - Sputnik Brasil
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Desde o ataque do Daesh em 2014, as Forças Armadas iraquianas foram restauradas apenas parcialmente. As forças peshmerga declararam que ficarão com todos os territórios reconquistados ao Daesh. Xiitas iranianos odeiam sunitas iraquianos e anteriormente ameaçaram matar americanos. Sunitas iraquianos têm uma série de problemas não resolvidos com o governo de Bagdá, dominado por xiitas. A Turquia, membro da OTAN, ocupou parte do território de dois países vizinhos e ameaça desagregar a coalizão, enquanto o premiê iraquiano, Haider al-Abadi, ameaça começar uma guerra com Ancara, escreve o autor do artigo em The National Interest.

A situação atual é o resultado da obstinação de Washington e do seu desejo de submeter todos usando a força militar. Além disso, os EUA estão sempre tentando a "encontrar soluções rápidas para problemas sérios e multidimensionais". Uma política externa baseada nestes princípios resulta em "agravamento constante" dos problemas que Washington está tentando resolver. Está na hora de os EUA abandonarem sua propensão para a intervenção e usarem a força militar de modo mais moderado, assegura Davis.

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