Sem notícias do terrorista: quem é o homem treinado nos EUA cuja cabeça vale $3 milhões?

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Gulmurod Khalimov, apelidado al-Tajiki, ao jurar fidelidade ao grupo terrorista Daesh já tinha trabalhado no batalhão especial da polícia do Tajiquistão e não podia, portanto, ter ilusões sobre a essência do assim chamado "Estado Islâmico".

O que foi, então, que o motivou a abandonar a segurança e o serviço em prol de seu país e assumir um papel mais bem nefasto nas fileiras extremistas?

Khalimov foi recentemente promovido a comandante das forças do grupo terrorista, após servir como recrutador principal do Daesh, substituindo Tarkhan Batirashvili (conhecido como Umar al-Shishani), que foi eliminado em julho do ano em curso.

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Segundo se sabe, não houve nomeação oficial: é perigoso chefiar uma estrutura oficial do "califado internacional" sem arriscar ser procurado (e eliminado também) pelas forças internacionais que combatem o terrorismo.

Na verdade, isso já foi feito pelo menos pelos EUA: o país que encabeça a coalizão internacional contra o Daesh na Síria e no Iraque já anunciou um prêmio de 3 milhões de dólares a quem capturar al-Tajiki. O essencial nesta história, porém, é que o próprio Khalimov tinha sido treinado por militares dos Estados Unidos, passando por cinco campos de treinamento nos EUA e no seu próprio país.

Segundo a Sputnik Tajiquistão, que cita uma fonte no serviço de segurança da província iraquiana de Níniwe, Khalimov virou a segunda pessoa na hierarquia do Daesh ao se tornar seu comandante. A fonte atribui o sucesso a duas razões: a boa preparação militar e o bom desempenho em atrair novos recrutas do seu país e da sua região, a Ásia Central.

A partida

Em 23 de abril de 2015, Gulmurod Khalimov falhou em se apresentar ao trabalho. Ao ser questionada, a família dele informou que ele tinha saído de casa sem documentos e dizendo que ia voltar pronto. Depois, em 27 de maio, um vídeo divulgado na Internet mostrou Khalimov jurando fidelidade ao Daesh.

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Isso provocou o pânico no Tajiquistão, pois foi uma falha grave do serviço de segurança, sem que o Comitê de Segurança nacional tivesse reparado. Surgiram muitas críticas ao topo do governo — especialmente depois do Ministério do Interior confirmar que Goulmourod, comandante de alta patente do batalhão especial, saiu do país desapercebido.

No dia seguinte, Khalimov foi acusado pelo Ministério Público do Tajiquistão de alta traição, formação de quadrilha e participação ilegal de conflito armado em território estrangeiro. Um mês depois, o ministro do Interior, Ramazon Rahimzoda, disse que mesmo se se arrependesse e voltasse, o foragido não encontraria perdão na sua pátria. "O seu destino é problema dele", disse.

Em junho, ele também foi indiciado pela Interpol. Depois, em fevereiro de 2016, seu nome entrou para a lista das sanções da ONU.

Em dezembro de 2015, houve uma notícia dizendo que Khalimov teria sido ferido. Depois disso, não houve mais notícias.

Versões

Há várias versões que explicam a deserção súbita de Khalimov. Uma foi dada por ele mesmo, falando, no vídeo mencionado, que ele foi guerrear para protestar contra os métodos usados pelo Ministério do Interior tajique e as restrições visando o modo de vida tradicional muçulmano.

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Outra causa possível é também religiosa: várias fontes acreditam que Khalimov gostava da ideia de "califado mundial", destacada pelo Daesh.

Só há uma dúvida: ninguém do seu círculo — nem a família, nem os colegas — consegue se recordar de uma religiosidade elevada.

Já outra versão sugere que a atração foi o dinheiro, mesmo se o montante proposto não se comparasse com o valor da pátria e da família.

Todas estas versões têm um ponto fraco em comum: como comandante de batalhão, ele devia saber bem quem são os terroristas por trás da égide do "califado" e como eles atuam matando pessoas. No entanto, há outra versão, a médica: sendo militar com larga experiência, tendo servido na guarda presidencial durante a guerra civil nos anos 1990, ele pode ter sido vítima da "síndrome militar", uma forma de síndrome pós-traumático que faz o paciente se lembrar demasiado da experiência bélica sem poder se acostumar à vida normal.

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