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Agência Mundial Antidoping critica Brasil e diz que vai fiscalizar testes

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Depois de ser estopim para a suspensão de quase metade da delegação russa nos Jogos Olímpicos do Rio, sob a alegação de doping de atletas desde os Jogos de Sochi em 2014, a Agência Mundial Antidoping (Wada) cria nova polêmica: a agência diz que vai passar a monitorar testes antidoping no país por “não estarem em linha com um programa eficiente”.

A Wada já havia criticado o Brasil pela redução do número de testes no país, de uma média de 370 por mês para apenas 110 em julho, às vésperas do início da Olimpíada. A entidade chegou a enviar uma carta com queixa formal ao Ministério dos Esportes no fim do mês passado, alegando que a redução era uma “prática inaceitável da parte da agência nacional antidoping, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

O que a Wada não mencionou, e que ele próprio havia suspenso, em junho, o Laboratório  Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), filiado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio. A suspensão, que durou pouco menos de um mês, foi devida, segundo a Wada, a um padrão de controle inadequado. Resolvido o problema, o laboratório voltou a ser credenciado. Nesse meio tempo, porém, os testes foram naturalmente reduzidos, embora amostras fossem enviadas pelo ABCD a Lisboa, Bogotá e Barcelona, locais com laboratórios com credenciamento internacional. As acusações do Wada não procedem. De janeiro a junho deste ano, foram realizados 2.227 testes em atletas brasileiros, enquanto entre 1º e 24 de julho o número caiu para 93 devido, justamente, ao descredenciamento do laboratório no Rio.

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Nota oficial do ABCD afirma que as declarações do Wada são absurdas e não fazem sentido, uma vez que a autoridade brasileira segue estritamente os códigos internacionais.

“O Ministério do Esporte e a ABCD estão empenhados na luta contra a dopagem no esporte do Brasil. Com a suspensão do LBCD pela Wada em 22 de junho, a realização de testes programados para o período de 1º a 24 de julho ficou comprometida”, ressalta a nota.

A Sputnik Brasil procurou a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para comentar o assunto. O assessor jurídico da associação, Thomaz Mattos de Paiva, reconheceu que a questão está um pouco exacerbada no momento e que tem ainda um viés político.

“Tivemos uma transição junto à ABCD em junho e também o problema da suspensão do laboratório no Brasil, e essa transição entre secretários, entrou o Rogério Sampaio, o novo secretário, gerou mudanças não de planejamento, mas de logística. A ABCD estava encontrando algumas dificuldades em relação aos exames oficiais de controle. Com a troca e com a suspensão do laboratório, houve essa dificuldade. Acho, sinceramente, que todos esses atletas que estavam sendo testados já estavam com um monitoramento muito grande e muitos deles já haviam sido testados mais de uma vez. Tem um pouco de viés político nessa discussão.”

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O assessor lembra que a ABCD não analisa as amostras, ela apenas faz os testes, recolhe a amostras e depois as encaminha para o laboratório no Rio. Paiva diz que, depois de levantada a suspensão, por uma não conformidade numa amostra, o laboratório hoje se encontra no estado de arte em termos de tecnologia. 

“Obviamente, ele sempre está em aprimoramento, ganhando conhecimento, mas hoje ele credenciado pela própria Wada para a realização desses testes.”

Para muitos especialistas, o doping evoluiu durante o tempo. É uma constante luta entre a detecção e a criação de novas drogas. No passado, algumas drogas ficavam até seis meses no corpo do atleta, enquanto hoje muitas já não deixam vestígio 24 horas depois. 

“Para cada tipo de esporte você tem uma droga específica que pode auxiliar ou não. O doping tem que ser combatido, tem que haver muito investimento na área para ter uma linha de combate maior”, diz Paiva.

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