A crise que abalou o mundo: há um ano que chegam ondas de refugiados à Europa

© AFP 2022 / ARMEND NIMANIMigrantes e refugiados
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Passou um ano desde que ocorreu uma das maiores catástrofes da crise migratória – em 14 de abril de 2015, mais de 400 pessoas, incluindo crianças, morreram após o naufrágio de um barco com refugiados líbios perto da ilha italiana de Lampedusa.

No total, segundo a Organização Internacional de Migração, em 2015 morreram cerca de três mil migrantes e refugiados. Mais 723 morreram ao tentar atingir a Europa nos primeiros meses de 2016.

Entretanto, um número muitas vezes maior conseguiu atravessar o Mediterrâneo: em 2015, um milhão e oitocentas mil pessoas chegou à Europa, de acordo coma agência Frontex. Destes, um milhão e cem mil registrou-se como refugiados na Alemanha, comunica o Ministério do Interior alemão. Mais 20 mil juntaram-se a eles este ano, segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. 

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Mas não é a Alemanha que sofre mais com este fluxo inédito: a pior situação acontece na Europa do Sul – na Grécia e Itália, aonde os migrantes chegam antes de entrar na Macedônia, Sérvia e Hungria. O destino é a Áustria, Alemanha ou Suécia, onde o nível dos subsídios sociais é superior e existem grandes comunidades muçulmanas.  

Para se opor ao afluxo incontrolável de migrantes, uma série dos países europeus introduziu o controle nas fronteiras internas do espaço Schengen, construindo muros com arame farpado. Segundo a legislação de Schengen, esta medida é temporária e não pode utilizar-se durante mais de seis meses. No entanto, não há sinais de as medidas serem aliviadas. 

Ao mesmo tempo, os países tentam debelar as razões da crise migratória, entre eles o negócio dos contrabandistas que “vendem bilhetes” para a Europa a preços que variam entre umas centenas e uns milhares de euros por pessoa.

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Em 18 de março, a UE acordou com a Turquia um plano de combater a migração ilegal, de acordo com o qual os que chegam ilegalmente à Grécia desde 20 de março, vão ser expulsos à Turquia. Restituindo à Turquia um migrante, a UE vai acolher um refugiado sírio. 

Para convencer Ancara a aceitar o acordo, Bruxelas prometeu acelerar as negociações de entrada da Turquia na União Europeia, bem como oferecer um pacote de ajuda inicial no valor de 3 bilhões de euros, a serem investidos na construção de novas instalações para os refugiados em território turco.

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A crise dos refugiados também levou a discórdias entre os países europeus. 

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o seu país iria defender as fronteiras, não autorizando a entrada de migrantes económicos, e não ia participar das quotas para distribuir os migrantes, o que se tornou um dos assuntos mais discutidos no contexto do Brexit. 

Enquanto isso, a Itália protesta conta as ações unilaterais da Áustria, que começou construindo um muro na fronteira entre os dois países.

E as pessoas?

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Todos sofrem, tanto os europeus como os próprios migrantes. Os cidadãos da UE são ameaçados por possíveis atentados já que o fundamentalismo prolifera entre os refugiados. Além disso, tem havido muitos confrontos provocados pelas diferenças culturais, um dos maiores ocorreu na passagem do Ano Novo, quando as mulheres alemãs em Colônia e outras cidades alemãs foram atacadas por naturais de outros países com intenção de violação.

Por sua vez, ao ficarem desesperados, os refugiados tentam cada vez mais contornar os limites estabelecidos pelas autoridades europeias. Por exemplo, no domingo (14) no campo de refugiados na fronteira greco-macedônia centenas de refugiados organizaram um protesto e foram dispersados com gás lacrimogênio, balas de plástico e granadas de som. Entre os feridos havia adolescentes que também tentavam passar a fronteira e, tal como os outros, se comportavam agressivamente. 

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