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Mídia turca ignora crimes da liderança turca e mídia ocidental acusa Rússia de propaganda

© AFP 2021 / OZAN KOSEParticipantes do protesto contra censura na mídia turca, Istambul, Turquia, 27 de novembro de 2015
Participantes do protesto contra censura na mídia turca, Istambul, Turquia, 27 de novembro de 2015 - Sputnik Brasil
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A mídia internacional não apoiou acusações prestadas pelo Ministério da Defesa russo contra a liderança turca afirmando que só são propaganda russa. Todavia, onde está a propaganda verdadeira?

Durante a entrevista coletiva do Ministério da Defesa russo de quarta-feira (2), o vice-ministro Anatoly Antonov apresentou dados de inteligência russa inclusive fotos, imagens de satélite e mapas detalhados que mostram quantidades industriais de petróleo levado dos territórios sob o controle do Daesh na Síria e no Iraque para a Turquia e depois para terceiros países.

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O momento mais sensacional do evento foi a declaração de Antonov sobre o envolvimento da liderança política turca inclusive o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan e a sua família no comércio de petróleo com os terroristas.

Todavia, em vez de iniciar a sua própria investigação a mídia internacional criticou a Rússia de apresentar evidências contra a Turquia dizendo que as revelações têm caráter de confrontação e hostil.

Reação da mídia ocidental

A reação dos jornais norte-americanos The Washington Post e The New York Times se limitou a parafrasear o artigo da agência The Associated Press (AP) que acusou “os altos chefes militares da Rússia” de agravarem a situação nas relações com a Turquia com as suas acusações “violentas” apresentadas contra o presidente turco.

A Bloomberg, por seu turno, defendeu Erdogan dizendo que a investigação foi um sinal de que a Rússia “intensificou os seus ataques contra a Turquia” e citando o comentário do adido militar turco que foi presente na coletiva e disse que “mais esperava uma entrevista coletiva de caráter militar do que acusações políticas”.

A reação da mídia britânica foi muito parecida. O jornal The Guardian divulgou um artigo intitulado “Rússia agrava hostilidades contra Turquia na coletiva militar” indicando sarcasticamente que “se calhar a Turquia substituiu os EUA como o inimigo retórico número 1 da Rússia”, mas não se focou em evidências reais. O The Financial Times no seu artigo disse que as revelações do Ministério da Defesa russo são somente “mais um componente da propaganda russa” após o abate do Su-24.

Reação da mídia turca

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É interessante que a mídia turca, ao invés dos seus colegas ocidentais, não criticou a Rússia pelas acusações da quarta-feira (2). É que não disse nada sobre a coletiva do Ministério da Defesa russo.

As publicações que decidiram publicar matérias sobre o tema excluíram dos seus textos aqueles trechos que, na sua opinião, são muito “violentos” para não deixar Erdogan furioso.

O jornal Hurriyet, que é considerado uma das principais publicações governamentais turcas, não reagiu de forma alguma à entrevista coletiva do Ministério da Defesa russo, publicando somente um artigo sobre a atitude norte-americana às acusações da Rússia. O silêncio sobre a entrevista provocou uma indignação entre leitores turcos. Passadas algumas horas, no site Eksi Sozluk, que é bastante popular entre os usuários turcos, foram deixados comentários sobre a censura do jornal.

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Um dos usuários deixou o seguinte comentário: “[Os funcionários do Hurriyet] não percebem que sob a pressão de Erdogan e do Partido de Justiça e Desenvolvimento o seu jornal em breve se tornará numa folha de informações governamental. Ele vai perder a confiança e ninguém irá lê-lo”.

Um outro jornal turco Milliyet também ignorou a coletiva. Entretanto o Milliyet bem como o Hurriyet pulicaram matérias sobre os turcomenos que morrem em resultado dos bombardeamentos russos. Há que destacar que emissoras de rádio e canais televisivos turcos seguiram o exemplo dos jornais governamentais.

Ao mesmo tempo, os jornais turcos de esquerda prestaram muita atenção às declarações do vice-ministro russo. Por exemplo, o portal de notícias SoL destacou que o Ocidente também está a par do comércio de petróleo entre a Turquia e os terroristas. Um outro jornal de caráter socialista BirGun destacou que “Erdogan que tomou a decisão de abater o avião russo confiando na OTAN se encontrou num beco sem saída”.

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O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, declarou que as acusações da Rússia são parecidas com “propaganda soviética na altura de guerra fria”, desmentindo as declarações sobre o envolvimento turco no comércio com o Daesh. O político disse que as “mentiras russas” visam esconder problemas nas relações com o seu vizinho.

Tendo em conta o incidente do Su-24 russo premeditadamente abatido pelo F-16 turco parece que nem a liderança turca nem a mídia turca e ocidental podem contestar fatos evidentes das ações criminosas da Turquia.

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