Democracia no Japão? É hora de deixar de ilusões

© AFP 2022 / Toru YAMANAKAMilitares da Marinha dos EUA durante a cerimônia de descida da bandeiras norte-americana e japonesa em Camp Forester, perto da base militar de Futenma em Ginowan, na prefeitura de Okinawa, em 14 de novembro de 2014
Militares da Marinha dos EUA durante a cerimônia de descida da bandeiras norte-americana e japonesa em Camp Forester, perto da base militar de Futenma em Ginowan, na prefeitura de Okinawa, em 14 de novembro de 2014 - Sputnik Brasil
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O governo do Japão informou na terça-feira, 27, a Prefeitura de Okinawa de que a decisão de transferir a base militar de Futenma para o distrito de Henoko, na mesma província, não tem força jurídica.

Segundo declarou Keiichi Ishii, ministro da Terra e Infraestutura japonês, em coletiva em Tóquio, as tentativas das autoridades de Okinawa de interromper a construção da nova base “podem influenciar negativamente as relações de confiança com os EUA e a aliança americano-japonesa”. 

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O ministro também declarou que a recusa de transferir a base militar significa uma ameaça à segurança dos moradores da cidade de Ginowan, perto da qual atualmente a base está localizada.

O representante da divisão de Okinawa do Partido Democrático do Japão, Masaki Hanashiro, criticou, em declarações à emissora Sputnik, esta decisão do governo japonês.

“Acho que o fato de que o governo do Japão na questão da base recorre a uma pressão tão séria nada tem a ver com a democracia”, disse.

Ele lamentou à decisão e argumentou a sua opinião:

“Uma vez que a garantia de segurança é importante para todo o país, seria natural o governo atuar tendo em conta a vontade de cidadãos da Okinawa”.

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Enquanto isso, a maioria dos especialistas russos não tinha dívidas de que o governo japonês iria ignorar a opinião dos cidadãos de Okinawa, descontentes com a presença militar norte-americana. O futuro desenvolvimento da situação dependerá em muito da firmeza dos cidadãos em proteger os seus direitos. A questão agora não só tem a ver com a destruição da natureza da região por razão dos equipamentos de construção, mas também com a segurança da ilha, se nos lembramos da concorrência atual entre os EUA e a China na região.

Lembramos que, em 13 de outubro, o governador da Prefeitura de Okinawa, Takeshi Onaga, retirou oficialmente a autorização para construir o aterro na linha costeira de Henoko, necessário para transferir a base militar norte-americana de Futenma para o local.  

O deputado da câmara baixa do Parlamento japonês da Prefeitura, Seiken Akamine, divulgou à Sputnik as razões das autoridades de Okinawa para tomar tal decisão.

“A criação do aterro na linha costeira de Henoko significa que Okinawa mantém para sempre o estatuto de ilha na qual estão localizadas bases militares”, disse.

Mas, segundo o político japonês, a situação ainda não acabou:

“O governo provavelmente tentará recomeçar a construção usando vários métodos sujos, mas o povo da prefeitura de Okinawa está disposto a resistir, respondendo com manifestações de protesto de larga escala na entrada de Henoko e no mar.”

Segundo Seiken Akamine declarou à Sputnik, o problema não só é de Okinawa, mas também de todo o Japão. Ele sublinhou especialmente, que “é necessário mostrar que os cidadãos do Japão não permitem a construção da nova base em Henoko”.

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