Rússia desafia supremacia naval dos EUA com mísseis no Cáspio

© NewsTeam / Abrir o banco de imagensNavios em seviço na Flotilha Russa do Mar Cáspio.
Navios em seviço na Flotilha Russa do Mar Cáspio. - Sputnik Brasil
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O jornalista mexicano Alfredo Jalife-Rahme acredita que o sucesso da recente operação da Flotilha russa no Cáspio contra alvos do Estado Islâmico (EI) na Síria demonstrou a crescente capacidade da Rússia de desafiar a supremacia naval dos EUA.

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Em um artigo para o jornal mexicano Le Jornada, Jalife-Rahme citou o analista político baseado em Moscou Rostislav Ishchenko, que recentemente escreveu que o lançamento dos mísseis de classe Kalibr pela Flotilha do Cáspio na semana passada pegou Washington completamente desprevenido, e que, com esta demonstração, a Rússia “pôs fim à supremacia naval global dos EUA".

"Talvez alguém possa considerar minha afirmação precipitada", Jalife-Rahme comentou, "mas provavelmente não é nenhuma coincidência que dois dias após o lançamento dos mísseis de cruzeiro russos, o porta-aviões norte-americano USS Theodore Roosevelt subitamente tenha deixado o Golfo Pérsico, onde estava estacionado desde abril deste ano".

Com isso, o analista observou, "agora, pela primeira vez desde 2007, nem um único porta-aviões norte-americano é deixado em serviço no Oriente Médio".

Jalife-Rahme lembrou que "o USS Theodore Roosevelt, com seus cinco mil marinheiros e 65 aeronaves de combate, havia chegado à região no final de abril, servindo como plataforma para os ataques aéreos (um tanto ineficazes) dos EUA contra as posições do EI no Iraque, na Síria e [contra militantes] no Afeganistão".

"O Pentágono diz que os ataques aéreos estão agora sendo conduzidos a partir de bases na Turquia, lar de cerca de meia dúzia de F-16s da Força Aérea dos EUA, mas isso claramente não é o suficiente para fechar a lacuna formada pela saída do porta-aviões" continuou o analista.

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Na semana passada, ao comentar os ataques da Flotilha do Cáspio contra as posições do EI na Síria, Ishchenko havia sugerido em uma análise para a Sputnik que, antes dos lançamentos, "não só a Flotilha do Cáspio, mas também as Frotas do Mar Negro e do Báltico foram consideradas pelos EUA como potenciais forças inimigas capazes apenas de defender seus territórios costeiros, de capturar traficantes e caçadores e de realizar operações anfíbias em suas águas cercadas". Agora, argumentou o analista, os planejadores norte-americanos serão forçados a rever as suas avaliações.

Jalife-Rahme observou que "talvez Ishchenko esteja sendo arrogante quando diz que o lançamento de 26 mísseis de cruzeiro Kalibr privou os EUA de sua superioridade marítima mundial por muitos anos vindouros. No entanto, seu uso em combate de fato demonstrou ao mundo que, para destruir seu adversário, a Marinha russa não precisa mais estar perto do Mediterrâneo Oriental, no Golfo Pérsico, no Canal Inglês, ao largo da costa da Noruega, no Atlântico Norte ou no Oceano Pacífico ao norte do Havaí". 

Comentando as implicações da demonstração de força da Rússia, o jornalista sugeriu que "vamos ter que esperar pela opinião dos herdeiros do almirante da Marinha norte-americana e geoestrategista Alfred Thayer Mahan", que, no início do século passado, afirmou que ninguém no mundo jamais poderia desafiar o avanço do poder naval dos EUA.

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O jornalista também lembrou que os estrategistas militares norte-americanos haviam imaginado que, a fim de destruir um grupo de ataque da Marinha dos EUA, a frota russa teria que disparar uma saraivada de não menos de 100 mísseis, o que exigiria a concentração de quase todos os navios russos, tanto da Frota do Norte quanto da Frota do Pacífico.

Além disso, os estrategistas acreditavam anteriormente que cada uma das duas frotas russas não enclausuradas em mares fechados poderia, no pior cenário, causar algum dano (talvez significativo) a apenas um grupo de ataque, após o que elas praticamente deixariam de existir, com a supremacia assegurada das forças remanescentes dos EUA nos oceanos do mundo.

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Estes pressupostos, segundo o jornalista mexicano, foram fundamentalmente desafiados pelo lançamento de mísseis na semana passada a partir do Mar Cáspio, na medida em que até mesmo o menor dos navios da Marinha russa prova-se capaz de lançar ataques mortais a distâncias de vários milhares de quilômetros.

Citando a reação de Pequim aos ataques com mísseis, Jalife-Rahmne observou que o lançamento dos Kalibrs poderia ser "interpretado como um aviso para os Estados Unidos”. Assim, o Kremlin estaria “enviando um sinal para a Casa Branca de que é hora de sentar-se à mesa de negociações a fim de iniciar uma discussão destinada a desanuviar as tensões sobre os eventos tanto na Síria quanto na Ucrânia". É uma sugestão com a qual o jornalista, por sua parte, assina embaixo.

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