Independentistas da Catalunha são acusados de quererem anexar França e Itália

© AFP 2022 / Jose JordanCatalães em volta da bandeira independentista da Catalunha
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Um mês antes das eleições qualificadas já de “plebiscitárias” pelos independentistas, a ideia da Catalunha como uma nação soberana ganha popularidade.

Na terça-feira (25), ficou conhecido que um homem de negócios desta comunidade autônoma da Espanha começou a comercialização, por um preço de 7,5 euros (31 real brasileiro), de uma cédula de identidade da hipotética República Catalã.

Solicitado pela Internet, este documento é um símbolo da esperança de uma parte considerável da região de reduzir a dependência política e econômica de Madri. Segundo o site do projeto, lançado pela Anman Gràfiques del Vallès, ao comprar a cédula catalã, são dados de presente ao comprador oito adesivos e uma cópia da Constituição da Catalunha.

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A mídia local, por exemplo o jornal El Periòdico de Catalunya, nota que este é só um dos projetos que podem ser atribuídos ao “consumo independentista”, isto é, a popularização da independência da região como uma marca comercial.

No entanto, a independência catalã é uma marca política desde há vários anos. A região, parte da Espanha desde o século XV, foi oprimida política e culturalmente durante a ditadura do general Francisco Franco no século XX. O recente auge da ideia da soberania cultural, social e política vem sobre o pano de fundo da crise econômica mundial e espanhola, em particular.

Até que um representante oficial da Catalunha, Germá Gordó, conselheiro (ministro regional) da Justiça do governo catalão, chegou a apelar à união de todos os “países catalães” em uma Catalunha independente. Ele fez esta declaração no final da semana passada na França. Respondendo a uma pergunta sobre se a Catalunha iria reconhecer como catalães os valencianos e baleares, Gordó disse que a Catalunha “não se podia esquecer da nação completa”.

Esta “nação completa” catalã inclui partes do Sul da França (província de Rossinhão), Andorra, a ilha de Alguer, na Itália, e partes da Espanha como a Faixa de Aragão, Comunidade Valenciana e ilhas Baleares.

A porta-voz do governo da Catalunha, Neus Munté, esclareceu, no dia seguinte, que o conselheiro pregava a “unidade linguística” e cultural. Mas isso não salvou Gordó do ataque do deputado conservador do Partido Popular (PP, governista na Espanha) José López Garrido, que chamou-o de “engendro nazi”.

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“Em 1938, um regime fez alemães os austríacos, tchecos, poloneses; hoje, outro engendro quer fazer catalães os valencianos e aragoneses”, escreveu Garrido no seu Twitter.

No entanto, Jordi Vera, chefe da seção do partido Convergència Democrática de Catalunya (CDC, no poder na Catalunha) francês, comentou à Sputnik que "não se tratava de anexar os territórios".

"Na intervenção do conselheiro Gordó foi dito claramente que o combate das minorias catalãs no exterior só concerne os habitantes destes territórios, e não a Catalunha".

Para Vera, é importante que os "cidadãos da futura República Catalã" possam obter um passaporte catalão em forma de reconhecimento da sua nacionalidade.

Germá Gordó faz parte da lista unitária, que atua como candidato múltiplo nas eleições catalãs de 27 de setembro. A lista tem a participação do atual presidente do governo regional, Artur Mas, e do principal opositor, Oriol Junqueras.

A Catalunha anunciou eleições antecipadas para setembro de 2015 ainda em novembro de 2014, depois da tentativa de referendo sobre a independência. Mais de dois milhões de catalães votaram a favor da soberania. Porém, o governo de Madri, presidido por Mariano Rajoy, negou-se a reconhecer o plebiscito como constitucional, e o evento passou a ser chamado de “processo participativo”, servindo como treinamento e teste da atitude popular.

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