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Opinião: França é o país da Europa que mais "fornece" combatentes ao Estado Islâmico

© AFP 2021 / Tauseef MUSTAFAApoiadores do Estado Islâmico
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Riadh Sidaoui, diretor do Centro Árabe de Pesquisas de Análise Política, em Genebra, explicou à Sputnik os motivos pelos quais a maior parte dos combatentes recrutados na Europa pelo grupo terrorista Estado Islâmico é de nacionalidade francesa.

Nas palavras de Sidaoui, sem contar com o mundo árabe, onde são recrutados, entre outras nacionalidades, muitos tunisianos, libaneses e sauditas, a França é realmente o país de onde sai a maioria dos jihadistas do EI. O fenômeno, no entando, segundo o especialista, possui algumas explicações.

"Não se deve esquecer que no início da crise síria a mídia francesa falava em "combatentes pela paz". Assim eram chamadas as pessoas que iam para a Síria lutar contra o regime do país. Devo também lembrar que tratava-se de um regime secular. Eles eram mencionados nas manchetes literalmente como "combatentes pela paz". A sua participação na guerra era interpretada como totalmente legítima. Eles eram apresentados como heróis. Ao longo dos primeiros dois anos nada era dito sobre o terrorismo na Síria" – disse.

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Ele lembrou que os artigos publicados pela imprensa francesa, bem como os discursos de políticos franceses, falavam apenas nos combatentes pela paz e na revolução legítima. Além disso, ele lembrou ter sido organizada na Tunísia, e depois em Marrocos, a conferência Amigos da Síria, que contou a participação da França, Inglaterra, EUA, Catar e Arábia Saudita. A ideia geral era de que tratava-se de uma guerra contra o regime sírio.

"Mas depois, e eu me refiro aos últimos dois anos, a posição da França mudou radicalmente. Tudo começou timidamente com um artigo no "Le Monde", dizendo que os serviços de inteligência franceses contactaram seus colegas sírios para ajudá-los na luta contra os jihadistas franceses" – explicou.

Pouco a pouco, lembra Sidaoui, os meios de comunicação da França começaram a falar abertamente sobre o terrorismo, a chamar os combatentes de terroristas que não hesitam em cortar as gargantas de seus reféns e a acusar o Catar e a Arábia Saudita de financiarem redes jihadistas.

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"Vale lembrar como exemplo as declarações feitas por Yves Bonnet, ex-chefe da contra-inteligência francesa, que disse literalmente o seguinte nas páginas do Le Monde: "Temos um verdadeiro problema com o Catar. E estou pouco me lixando com os resultados do Paris Saint-Germain". Isso é um indício de que a mídia francesa culpa hoje a Arábia Saudita e o Catar de ajudar a financiar o jihad. Além disso, o aliado militar da França no âmbito da OTAN é a Turquia – uma porta aberta pela qual os jihadistas chegam à Síria. Todos os jihadistas franceses primeiro vão para a Turquia, mediante o conhecimento dos serviços de inteligência turcos" – concluiu Riadh Sidaoui.

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