Jogos de espiões norte-americanos no programa nuclear do Irã

© AFP 2022 / BRENDAN SMIALOWSKIDelegação iraniana, com chanceler Mohammad Javad Zarif (esquerda) e chefe da Agência nuclear iraniana Ali Akbar Salehi (centro), nas negociações de 31 de março de 2015 na Suíça
Delegação iraniana, com chanceler Mohammad Javad Zarif (esquerda) e chefe da Agência nuclear iraniana Ali Akbar Salehi (centro), nas negociações de 31 de março de 2015 na Suíça - Sputnik Brasil
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Nos Estados Unidos terminou o processo do ex-agente da CIA Jeffrey Sterling, que divulgou as informações sobre a operação secreta no Irã no início dos anos 2000. O analista da Sputnik Persian, Vladimir Sazhin, explicou como esse caso pode afetar as negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Jeffrey Sterling foi condenado a 42 meses de prisão. De acordo com o tribunal, em 2003 Sterling entregou ilegalmente ao jornalista James Risen do New York Times informações sobre a operação da CIA projetada para desacelerar o programa nuclear iraniano.

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O outro objetivo da operação era o descrédito do programa entre os especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). As agências de inteligência dos EUA através de seus agentes em todo o mundo transferiram ou venderam aos iranianos desenhos distorcidos de equipamento nuclear. Isso causou perturbações nas instalações nucleares e, em consequência, a AIEA teria tirado conclusões erradas sobre o programa nuclear do Irã. No entanto, como resultado da falha da CIA, Teerã passou a dispor de dados sobre quase todos os espiões norte-americanos no seu território.

James Risen não conseguiu publicar o artigo em 2003 por causa da intervenção de Condoleezza Rice, que ocupava o cargo de assessora do presidente nas questões da Segurança Nacional. Mas em 2006 ele lançou o livro "Estado de Guerra”, onde descreveu os detalhes da operação. Mesmo assim, a obra não se tornou uma sensação.

De acordo com analista Vladimir Sazhin, depois que Teerã recomeçou o programa nuclear nos meados da década de 80, o Irã tornou-se um centro de atração dos vários serviços da inteligência. As histórias sobre as revelações dos espiões deixaram de ser uma raridade.

Segundo Sazhin, todos os serviços secretos, tanto em Washington quanto em Teerã, já souberam todos os detalhes da operação da CIA nos anos 2000. Isso mais uma vez prova o axioma — espionagem é uma parte inalienável da civilização. Por isso, a história de Sterling não afetou as negociações sobre o programa nuclear iraniano e não poderá afetar.

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