Stephen Cohen: EUA responderam com traição às tentativas de aproximação da Rússia

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Os arquitetos da política norte-americana para a Rússia e a Ucrânia estão destruindo a segurança dos EUA, e qualquer pessoa que não sofre de "russofobia" é capaz de enxergá-lo, diz o historiador e docente da Universidade de Princeton, Stephen Cohen.

"A crise ucraniana representa um fortíssimo golpe para a segurança nacional dos EUA, mais forte mesmo do que a guerra no Iraque e suas consequências duradouras. O motivo disso é simples: novamente o caminho para a segurança nacional dos EUA passa por Moscou. Não existe uma questão sequer de segurança regional ou internacional que os EUA poderiam resolver sem uma plena cooperação com qualquer líder no Kremlin – isso é um fato e não há nada mais a acrescentar nesse sentido".

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Na opinião do historiador, o curso político escolhido pela elite norte-americana para a Rússia, em parte por causa do conflito na Ucrânia, não trará nada além de prejuízos. Se Washington perder o contato com a Rússia, Moscou poderá se decepcionar para sempre com as elites norte-americanas e abrir mão da cooperação no âmbito da segurança internacional.

A Rússia e o seu líder, Presidente Vladimir Putin, indicaram claramente seu interesse por uma parceria igualitária com os EUA ainda durante a conferência em Munique, em 2007, acredita Cohen.

"Putin diz: escutem, nós queremos ser seu parceiro; nós desejamos isso desde o momento da chegada de Gorbachev ao poder. Nós acreditamos na ideia de uma Europa unificada. Mas a cada vez que nós procuramos vocês [os EUA], ou acreditamos termos chegado a algum acordo, vocês  começam a se portar com hegemonia e todos precisam fazer o que vocês falam para continuar do seu lado" — escreve o historiador norte-americano.

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Na opinião de Stephen Cohen, no início dos anos 2000 existia um potencial para uma real parceria estratégica entre a Rússia e os EUA. No entanto, escreve ele, em repostas às iniciativas do presidente russo para uma aproximação, George W. Bush "expandiu a OTAN" e retirou os EUA do Tratado de Mísseis Antibalísticos – minando as bases da segurança nuclear da Rússia.

Stephen Cohen considera esses passos do presidente norte-americano como uma traição, e destaca que exatamente naquela época pode ter havido um ponto de virada na arquitetura das futuras relações russo-americanas.

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