13:46 15 Outubro 2018
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    Suicídio de indígenas já é três vezes maior que na população brasileira

    Conselho Missionário denuncia violência contra índios: nenhum território demarcado em 2017

    Mayne Toscano/GEMT/Fotos Públicas
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    Cimi – Conselho Indigenista Missionário lançou nesta quinta-feira o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil. Publicado todos os anos, o Relatório é o principal instrumento de denúncia do Cimi da realidade vivida por esses povos no país.

    Além disso, Cimi divulga uma lista dos 50 principais parlamentares do Congresso que realizam ações contra os direitos indígenas.

    "São sistematizados também dados de violências contra o patrimônio dos povos, como a omissão e morosidade na demarcação das terras indígenas, a invasão possessória e a exploração ilegal de recursos naturais, e informações referentes à omissão do poder público na desassistência à saúde e educação indígena, mortalidade infantil e suicídio. Artigos escritos por indigenistas e antropólogos contextualizam e analisam estes dados", informa o site da organização.

    O relatório também chama a atenção especial para o povo Akroá-Gamella, do Maranhão, que sofreu um violento ataque ao lutar pelo território tradicional e o povo Karipuna, cujas terras estão sendo desmatadas, griladas e loteadas em Rondônia. O próprio Ministério Público Federal (MPF) afirma que está "em curso um eminente processo de genocídio deste povo".

    Sputnik Brasil conversou sobre esses temas com o secretário-executivo do Cimi – Conselho Indigenista Missionário, Cleber Buzatto.

    Para ele, entre os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas em 2017 foi a dificuldade de seguir com os processos de demarcação de terras. Esse processo é uma das poucas maneiras de proteger essas populações.

    "Existem 847 casos de terras demandadas pelos povos mas que ainda não estão demarcados. Em 2017 os processos de demarcação ficaram praticamente paralizados. Não houve nenhuma homologação de terra indígena por parte da presidência da república", disse Buzatto. 

    A demanda por terra é muito grande e a situação atual alimenta e potencializa situações de conflito em relação à territórios não demarcadas.

    O secretário-executivo do Cimi explicou que, em 2017, aumentaram em de mais "60% os casos de invasões pocessórias e exploração ilegal de recursos naturais".

    A forma de invasão também mudou. Além da exploração predatória de minérios e de madeira agora se soma a prática de loteamento e de venda de terras já demarcadas, como no caso do povo Karipuna, no estado de Rondônia.

    "Há envolvimento de políticos, que fazem ações de insentivo para que os regionais acabem ocupando e loteando essas áreas. Há uma ação orquestrada por parte de políticos e grandes fazendeiros e das pessoas da região", denunciou o interlocutor da Sputnik Brasil.

    Ele revelou que em muitas regiões fazendeiros locais formam milícias que atacam comunidades menos numerosas.

    "Esse relatório pretende ser um grito para a sociedade, para o estado, para os representantes dos órgãos públicos, que têm competências e responsabilidades aqui no país. E também para a sociedade internacional, organismos multilaterais de direitos humanos ligados ao sistema regional da OEA ou da própria ONU. Espero que eles se somem à luta dos povos para que essa situação seja enfrentada e seja transformada em uma situação mais favorável aos povos indígenas do Brasil", concluiu.

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