02:09 24 Outubro 2017
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    Criança com um livro

    'Geração Google Pornô': Escandinávia propõe usar filtros contra sexualização infantil

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    Sociedade
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    Ativistas escandinavos relacionaram o número crescente de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes com o acesso livre e exposição à pornografia. Eles apelam a seus governos a que acabem com a constante sexualização infantil.

     Os ativistas das organizações de direitos humanos Freethem Norway e Freethem Sweden expressaram em sua matéria de opinião conjunta, publicada pelo canal norueguês NRK, que na cultura de crianças e adolescentes extremamente sexualizada o uso sem nenhumas restrições de materiais pornográficos explica por que cresce o número de casos de abuso sexual.

    Eles declararam também, que pornografia representa um risco nacional à saúde de crianças e adolescentes.

    Anteriormente neste ano, o Serviço Nacional para Investigações Criminais norueguês (Kripos, em norueguês) advertiu sobre o número crescente de casos de estupros infantis, feitos por crianças, relatou NRK. Apenas no ano passado, foi reportado um crescimento em 60% acima da média, o que Freethem relacionou parcialmente com o uso ilimitado de materiais pornográficos a quais crianças e adolescentes têm acesso.

    Além disso, o próprio NRK reportou que entre este grupo apareceu a moda de se filmarem a si mesmos fazendo sexo e postar os vídeos nas redes sociais. O relato refere crianças de 12 anos produzindo materiais que podem ser classificados como pornográficos, embora de acordo com a legislação da Noruega é proibido distribuir e postar imagens pornográficas de menores com menos de 18 anos. Além do mais, foi comunicado que as crianças e adolescentes da Noruega ocupam o primeiro lugar na Europa em termos de uso de materiais pornográficos, o que foi revelado pela pesquisa EU Kids Online.

    A Freethem batizou o fenômeno de "Geração Google Pornô", declarando que negar a ligação entre normalização da pornografia e o crescimento do número de crimes sexuais entre adolescentes seria o mesmo que negar as mudanças climáticas.

    "Seremos nós e as gerações futuras que acabaremos perdendo. O livre acesso e exposição a materiais pornográficos consistem em abuso infantil", afirmaram os ativistas em seu artigo conjunto.

    Os ativistas mencionaram o livro recentemente publicado “Sesame Sesame”, cuja autora Gro Dahle visou reunir crianças e adultos para falar sobre pornografia. Ativistas da Freethem acusaram Dahle de falhar em fornecer qualquer reflexão crítica quanto ao assunto sensível ou abordar a violência relacionada com a pornografia. Além disso, o próprio livro foi criticado por conter imagens pornográficas, que podem encorajar crianças e adolescentes sem experiência anterior assistir ao pornô a fim de preencher a lacuna.

    Para resolver o problema, os ativistas propõem que se introduzem filtros que possam bloquear o acesso às matérias pornográficas. Isso deveria ser realizado, entre outros lugares, na escola, que é onde as crianças e adolescentes recebem sua introdução ao conteúdo para adultos, acreditam os ativistas.

    A Freethem comparou o consumo de pornô com o álcool, que provoca as mesmas alterações no sistema de recompensa do cérebro e leva à dependência.

    "Caso alguém considere que filtragem é censura que viola a liberdade de expressão, então que leve em conta que do mesmo jeito nós pomos restrições ao acesso de crianças e adolescentes ao álcool, […] o mesmo deveria ser feito com as matérias pornográficas usando filtros."

    Freethem é uma organização não governamental internacional que tem sedes na Suécia, Noruega, Alemanha e Áustria. Os ativistas dessa organização tentam reduzir a demanda por prostituição, pornografia e trabalhos forçados.

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    Tags:
    pornografia infantil, filtro, censura, Escandinávia, Noruega
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