21:31 03 Dezembro 2020
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    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez nesta quinta-feira (22) uma participação durante a 17ª reunião anual do Clube Valdai de Discussões Internacionais, dedicada à pandemia de coronavírus, onde falou sobre diversos temas.

    O Clube Valdai de Discussões Internacionais é um think tank com sede em Moscou, criado em 2004, cujo trabalho busca "formar a agenda global e fornecer uma avaliação qualificada e objetiva das questões políticas e econômicas globais". 

    Veja a seguir alguns dos principais temas abordados pelo presidente da Rússia: 

    Passageiros na estação de metrô Park Kultury, Moscou, 25 de setembro, 2020
    © Sputnik / Valery Melnikov
    Passageiros na estação de metrô Park Kultury, Moscou, 25 de setembro, 2020

    COVID-19 

    Em seu pronunciamento, Putin falou que a pandemia de COVID-19 evidenciou não somente a importância do desenvolvimento da ciência e da medicina, mas também que é imprescindível dispor de um sistema de saúde robusto, que esteja ao alcance de todos.

    "A vida mostrou que não é apenas importante o nível de desenvolvimento da ciência médica, suas conquistas, muitas vezes fantásticas, mas também a organização e a disponibilidade de um sistema de saúde robusto, que, às vezes, pode ser até mais importante", disse o presidente russo. 

    Ao falar sobre como o país reagiu à pandemia, Putin assinalou que a Rússia conseguiu encontrar um equilíbrio entre priorizar a vida e a saúde dos cidadãos, ao mesmo tempo em que protegia a economia da crise provocada pelo novo coronavírus.

    "A vida e a saúde dos cidadãos, sem dúvida, vêm primeiro. Naturalmente, a vida e a saúde estão relacionadas aos sistemas de saúde, que necessitam de forte suporte do orçamento federal e de outras entidades. A economia deve funcionar para fazer com os recursos destinados ao orçamento estatal cresçam. Tudo está interconectado. É crucial atingir um equilíbrio. Eu acredito que nós conseguimos fazê-lo desde o princípio", afirmou o presidente russo. 

    Putin, no entanto, criticou a comunidade internacional, ao afirmar que ela poderia ter feito mais enquanto tentava mobilizar seus esforços para enfrentar a pandemia. 

    "Ao confrontar essa ameaça [COVID-19], a comunidade internacional está tentando empreender certas ações voltadas para a sua mobilização, e algumas coisas já foram feitas em conjunto pelos países. No entanto, eu gostaria de dizer que nem tudo que é necessário [está sendo feito] diante do desafio comum e colossal que é a pandemia", disse. 

    Além disso, Putin foi duro ao atacar as sanções econômicas impostas pelo Ocidente aos países que estavam em situação epidemiológica crítica de COVID-19. 

    "A Rússia instou outros países e as Nações Unidas a suspender todas as sanções econômicas, ao menos temporariamente, com base em sentimentos humanitários. Não estou falando sobre as sanções contra a Rússia, eu não ligo, nós vamos sobreviver, mas existem muitos outros países, que sofreram e estão sofrendo com a propagação do coronavírus, e não necessitam de assistência econômica externa, mas apenas da suspensão dessas restrições, pelo menos na esfera humanitária, sobre suprimentos médicos, empréstimos, equipamentos e transferência de tecnologia. Essas são apenas questões humanitárias, ou não? No entanto, nenhuma restrição foi levantada por razões que nada tem a ver com questões humanitárias", disse Putin.

    Míssil balístico intercontinental Yars durante ensaio para parada militar em Moscou (foto de arquivo)
    © Sputnik / Vladimir Astapkovich
    Míssil balístico intercontinental Yars durante ensaio para parada militar em Moscou (foto de arquivo)

    Corrida armamentista

    Em sua participação no evento anual, o chefe de Estado russo também falou sobre o desenvolvimento de armamentos, e opinou que o mundo não terá futuro se não houver restrições à corrida armamentista.

    "Na minha opinião, o mundo não terá futuro se não houver limites na corrida armamentista. Todos devem pensar nisso, é o que pedimos", frisou.

    Putin assinalou que não é contra levar em consideração seus novos mísseis e ogivas ao discutir o controle de armas com os Estados Unidos. 

    "Quando negociamos e assinamos o tratado [Novo START], levamos todas as questões em consideração. Havia apenas uma coisa que não estava coberta, as armas que a Rússia desenvolveu em resposta à saída dos EUA do Tratado Antimísseis Balísticos, nosso novo sistema hipersônico de alta precisão. Os EUA, assim como outros países, não têm um sistema como esse, mas todo mundo está trabalhando nisso e o terá um dia. Eles nos dizem que temos esse sistema, enquanto eles não têm, e que então deveríamos adicioná-lo [ao tratado]. Mas nós não ligamos para isso", declarou.

    Em relação ao Novo START, Putin deixou claro que a segurança da Rússia não depende do tratado, por isso Moscou não vai "se prender" à extensão do mesmo.

    "Já disse isso e vou dizer outra vez, não vamos nos prender a esse acordo. Se nossos parceiros decidirem que ele não é necessário, então que seja. Não podemos forçá-los. Nossa segurança, a segurança da Rússia, não será afetada, especialmente porque temos as armas mais avançadas", declarou.

    O presidente russo também falou sobre a intenção dos EUA de incluir a China nas discussões sobre o controle de armas, e destacou que ela não é o único país que deveria ser incluído, mas todas as outras potências nucleares. 

    "Se você quer incluir a China neste processo e fazê-la assinar o tratado, então por que somente a China? Onde estão as outras potências nucleares? Onde está a França, que recentemente testou um novo sistema de míssil de cruzeiro lançado por um submarino? Ela é uma potência nuclear também. Onde está o Reino Unido? Há outras potências nucleares que não são reconhecidas como tal, mas que todos sabem que possuem armas nucleares [...] vamos envolvê-las também" sugeriu.
    Negociações em Moscou entre Rússia, Armênia e Azerbaijão sobre o conflito em Nagorno-Karabakh.
    © Sputnik / Ministério das Relações Exteriores da Rússia
    Negociações em Moscou entre Rússia, Armênia e Azerbaijão sobre o conflito em Nagorno-Karabakh.

    Nagorno-Karabakh

    Sobre os enfrentamentos no Cáucaso envolvendo Armênia e Azerbaijão em torno do território de Nagorno-Karabakh, um confronto que remonta ao período de dissolução da União Soviética e voltou a escalar no final do mês passado, Vladimir Putin assinalou que espera que, nas conversas que acontecerão em Washington, os Estados Unidos atuem "em uníssono" com a Rússia e ajudem a solucionar o conflito.

    Está prevista nesta sexta-feira (23) uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores de Armênia e Azerbaijão em Washington para discutir meios para por fim às hostilidades em Nagorno-Karabakh.

    "Espero que nossos parceiros americanos atuem em uníssono com nossos esforços e ajudem a chegar a uma solução. Vamos torcer pelo melhor", comentou Putin.

    O presidente russo acrescentou que Moscou sempre teve relações especiais com Erevan e Baku, que são dois parceiros estratégicos e importantes da Rússia, apesar do conflito em Nagorno-Karabakh. Além disso, o chefe de Estado comentou que mais de dois milhões de armênios, e aproximadamente o mesmo número de azeris, vivem na Rússia, e assinalou que essas populações têm relações muito próximas com a Rússia e seus cidadãos.

    "É por isso que tanto a Armênia quanto o Azerbaijão são parceiros igualmente importantes, e é uma enorme tragédia para nós que as pessoas morram ali. Nós queremos construir relações de pleno-direito com Armênia e Azerbaijão", disse Putin, ao acrescentar que tem contato bastante próximo com o presidente azeri, Ilham Aliev, e com o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan. "Falamos pelo telefone diversas vezes ao dia", disse Putin.
    Opositor russo Aleksei Navalny (foto de arquivo)
    © Sputnik / Aleksei Kudenko
    Opositor russo Aleksei Navalny (foto de arquivo)

    Caso Navalny

    Durante sua participação no Clube Valdai de Discussões Internacionais, Putin também falou sobre o suposto caso de envenenamento do opositor Aleksei Navalny. Para o presidente, as autoridades russas jamais teriam deixado o opositor sair do país para receber tratamento na Alemanha se tivessem tentado envenená-lo, especialmente devido às restrições de viagem a que ele está submetido por envolvimento em um caso criminal.

    "Se as autoridades quisessem envenená-lo, jamais deixariam que ele viajasse para a Alemanha para receber tratamento. Assim que a esposa desse cidadão me enviou uma requisição, eu imediatamente pedi aos procuradores que checassem se ele poderia deixar o país para tratamento. Eles poderiam rejeitar o pedido, porque ele estava submetido a restrições de viagem impostas pela Justiça, relacionadas a seu envolvimento em um caso criminal. Eu imediatamente solicitei ao Escritório do Procurador-Geral que permitisse que ele viajasse, e ele deixou o país", disse Putin.

    O presidente reiterou que o Escritório do Procurador-Geral da Rússia entrou em contato com a parte alemã para fazer com que os materiais do caso, incluindo materiais biológicos, fossem disponibilizados a Moscou, o que possibilitaria a abertura de uma investigação formal sobre o incidente.

    "Em seguida, eu ofereci, durante contato com um dos líderes europeus, que nossos especialistas fossem enviados à Alemanha para que pudessem trabalhar em conjunto com os especialistas franceses, alemães e suecos, e para que tivessem acesso aos materiais, que poderiam ser usados para abrir um caso criminal e investigá-lo, se realmente houve crime. Mas eles não nos deram nada", disse Putin.

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    Tags:
    corrida armamentista, Nagorno-Karabakh, COVID-19, relações exteriores, Rússia, Vladimir Putin
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