14:14 02 Julho 2020
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    Moscou exige que o secretariado da ONU investigue o vazamento de um documento confidencial na mídia, afirmou o diretor do Departamento de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Pyotr Ilyichev.

    Anteriormente, na mídia ocidental surgiram publicações sobre o relatório confidencial de um grupo de peritos em que se afirmava que funcionários do Grupo Wagner, bem como de outras empresas, estão presentes na Líbia apoiando as forças de Khalifa Haftar.

    "Primeiramente, deve-se notar que estamos profundamente preocupados com o vazamento na mídia do relatório confidencial do grupo de especialistas do Comitê 1970 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre as sanções contra a Líbia. Além disso, não é primeira vez que este tipo de documentos, não destinados ao público, estão sendo vazados em espaço público. Exigimos uma investigação do que aconteceu pelo secretariado da ONU", afirmou.

    "Na maior parte, o relatório é baseado em dados não verificados ou claramente manipulados e visa desacreditar a política russa relativamente à Líbia. Especialistas usam fontes de caráter duvidoso que têm interesse direto no conflito líbio [...] A veracidade de uma série de referências que são baseadas nas chamadas 'negociações internas' não pode ser provada", acrescentou.

    "Não temos dúvidas que o objetivo é enganar a comunidade internacional em relação à política russa na Líbia", enfatizou o diplomata.

    Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que não existe uma solução militar para o conflito na Líbia.

    "Discuti este tema com diversos colegas, eles concordam com o elemento fundamental da nossa posição, que consiste na ausência de uma solução militar para este conflito. Na verdade, esta é a pedra angular de todas as resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU e de todas as declarações aprovadas em muitos eventos, inclusive na conferência de Berlim", afirmou Lavrov.

    Chanceler russo Sergei Lavrov participa de reunião com ministros das Relações Exteriores do BRICS, 28 de abril de 2020
    © Sputnik / Imprensa da chancelaria russa
    Chanceler russo Sergei Lavrov participa de reunião com ministros das Relações Exteriores do BRICS, 28 de abril de 2020

    Lavrov também afirma que as partes em conflito na Líbia devem cessar imediatamente as hostilidades.

    De acordo com o ministro russo, a superioridade militar de um dos lados sobre outro no conflito na Líbia tem sido sempre temporária, pois sempre houve medidas de resposta e a situação se alterava.

    "Portanto, não vejo outra opção além do cessar-fogo imediato e a resolução de todas as outras questões através de processo de negociação, de acordo com os entendimentos consagrados na declaração da Conferência de Berlim", enfatizou.

    O ministro russo observa que as medidas devem ser aplicadas à estrutura política da Líbia, onde as três principais regiões históricas devem ser representadas durante as negociações, bem como nos novos órgãos de poder do Estado, tanto executivo como legislativo. As questões econômicas também devem ser resolvidas considerando os interesses de cada uma dessas três partes do país.

    A Líbia está dividida entre as duas administrações rivais desde 2011, quando seu antigo líder Muammar Kadhafi foi derrubado e morto. O ENL controla o leste do país, enquanto o Governo do Acordo Nacional (GAN) controla a parte oeste. O ENL tem como objetivo afastar o GAN, que é apoiado pela Turquia, de Trípoli.

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    Tags:
    conflito, relações exteriores, Líbia, Sergei Lavrov, Rússia
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