01:14 25 Setembro 2017
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    Equipamento militar russo no Ártico (arquivo)

    Para que a Rússia constrói bases militares e usa equipamentos especiais no Ártico?

    © Sputnik/ Maksim Blinov
    Rússia
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    Nos últimos 10 anos, a Rússia tem dinamizado de forma acelerada a construção militar no Ártico. O Ministério da Defesa está erguendo bases, aeródromos e postos de apoio em ilhas remotas, sendo apoiado pela maior frota de quebra-gelos nucleares no mundo. Os países ocidentais, por sua vez, tentam não ficar para trás nesta corrida.

    Isso não é de surpreender — o controle do Ártico garante toda uma série de vantagens importantes no campo econômico, militar e político, assegura o colunista da Sputnik Andrei Kots.

    Zona de atenção elevada

    De acordo com vários especialistas, a Rússia está perseguindo três objetivos ao aumentar sua presença em território ártico.

    Primeiro, o país recebe, de fato, uma oportunidade de controlar unilateralmente a Rota Marítima do Norte, ou Passagem do Nordeste, sendo que esta é uma artéria de transporte importantíssima. Apenas em 2016, os navios transportaram 7,26 milhões de toneladas de diferentes cargas através deste roteiro, batendo pela primeira vez os índices da época soviética.

    Segundo, deste modo a Rússia protege suas riquezas nas águas do Oceano Ártico, isto é, o petróleo e gás. Já faz muito que estes estão "seduzindo" outros países que apresentam pretensões em relação à região: EUA, Canadá, Islândia, Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca.

    Terceiro, as águas do Oceano Ártico são uma região complicada para a Rússia do ponto de vista da segurança. A extensão enorme da fronteira setentrional russa faz com que ela seja vulnerável deste lado a uma potencial agressão. A presença militar no Ártico permitirá não deixar passar navios com sistemas de defesa antimísseis e sistemas de ataque estratégicos do inimigo potencial na região.

    Quebra-gelo Arktika
    © Foto: imprensa da Estaleiros do Báltico
    Hoje em dia, a defesa da fronteira mais fria do país é efetuada pela Frota do Norte, que faz parte do Comando Conjunto Estratégico Norte.

    "A Frota do Norte não é apenas uma força naval. Pelas suas funções ela se assemelha mais a um comando de operações estratégicas ou a uma região militar. Na sua composição figuram grupos de unidades de mísseis e artilharia, uma brigada de infantaria mecanizada, uma divisão de defesa antiaérea e outras estruturas 'terrestres'. A zona de responsabilidade deste agrupamento de forças muito importante abrange toda a região do Ártico, exceto sua parte oriental. A Frota do Norte, de fato, afasta os limites possíveis para lançamentos de mísseis de cruzeiro por parte do inimigo contra a Rússia para áreas à distância de várias centenas de quilômetros da nossa fronteira", afirmou à Sputnik o editor-chefe da revista russa Arsenal Otechestva, Viktor Murakhovsky.

    Desafiando o frio

    Para resolver estas e outras tarefas, o comando militar russo está colocando em serviço os novos equipamentos elaborados para funcionar nas condições climáticas do Extremo Norte.

    No ano de 2017, a Praça Vermelha evidenciou o desfile dos chamados "armamentos árticos", inclusive dois sistemas de defesa antiaérea — o TOR-M2DT e o Pantsir-SA.
    Esses veículos foram construídos na base do fora de estrada DT-30 Vityaz, que é capaz de funcionar com até 55 graus negativos.

    Algumas modificações destes veículos podem superar obstáculos aquáticos, o que aumenta sua mobilidade nas condições da desintegração permanente do gelo no Polo Norte. Além disso, os novos sistemas TOR e Pantsir protegem as regiões de baseamento dos sistemas de mísseis S-400 que começaram a ser instalados no Ártico em 2015.

    Entretanto, o serviço militar no Ártico é cumprido pela primeira unidade verdadeiramente ártica que dirige os veículos especiais adaptados às temperaturas extremamente baixas e até conjuntos de renas e cães para passar naquelas áreas onde os equipamentos bélicos não conseguem.

    Vale destacar também que, para esta região específica, a indústria bélica russa produz tanques, veículos de infantaria e helicópteros modificados como, por exemplo, o Mi-8AMTSH-VA.

    A frota de quebra-gelos também tem uma grande importância. Em 2017, a Frota do Norte deve ser aumentada com o novo navio diesel-elétrico Ilia Muromets, que é capaz de funcionar em campos de gelo gelado com espessura de 1 metro. Há outros quebra-gelos como, por exemplo, o Akademik Kovalev do projeto 20180TV, que entrou em serviço em 2015, enquanto o navio de patrulha Ivan Papanin, equipado com um canhão universal de calibre 100 mm AK-190 e mísseis antinavio, deve ser construído até 2020.

    Uma 'casinha' no Norte

    Hoje, a Rússia é o único país que possui bases militares no Ártico. Particularmente, no ano passado na Terra de Francisco José foi inaugurado o posto Arktichesky Trilistnik (Trifólio do Ártico), único no seu gênero. A base conta com mais de 14 mil metros quadrados e equipamentos sofisticados que lhe permitem funcionar em um regime autônomo sem ajuda do continente.

    O bloco administrativo pode albergar cerca de 150 pessoas durante 18 meses, dado que o abastecimento da base se efetua via transporte aéreo. Vale destacar que, no total, se planeja construir 13 bases aéreas na região.

    Além do edifício principal, a base tem uma usina elétrica, uma instalação de destilação de água e muitas outras infraestruturas para suporte de vida e cumprimento do serviço militar.

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    Tags:
    petróleo, base militar, militares russos, Pantsir, Forças Armadas da Rússia, Polo Norte, EUA, Rússia, Ártico
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