23:48 18 Novembro 2019
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    Representante permanente da Rússia na ONU, Vitaly Churkin

    Jornalistas das maiores mídias ocidentais elogiam falecido embaixador russo na ONU

    © AFP 2019 / EDUARDO MUNOZ ALVAREZ
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    Duro mas espirituoso, exigente mas aberto para o diálogo, profissional de alto nível – é assim que os jornalistas das maiores mídias ocidentais descrevem o representante permanente da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Churkin. Para a mídia que cobre o trabalho da ONU, o diplomata russo foi um dos maiores e mais respeitados fazedores de notícias.

    Vitaly Churkin representou a Rússia nas Nações Unidas desde o ano de 2006, ou seja, foi o diplomata que mais tempo esteve em representação do seu país na história do Conselho de Segurança. Durante este período, ele respondeu a centenas de perguntas dos jornalistas.

    Evekyn Leopold, veterana do agrupamento de jornalistas da ONU, chefe da representação da Reuters na ONU por quase 20 anos e hoje correspondente independente do Huffington Post, diz:

    "Virtuoso da diplomacia, o embaixador Churkin era muito engenhoso, respondia rapidamente aos comentários mordazes que lhe eram dirigidos quando usava o veto na questão da Síria. Ele também tinha relações cordiais com os seus oponentes, excluindo a Ucrânia. Sua opinião sempre era procurada, a despeito de as pessoas concordarem com ele ou não. A falta dele será muito sentida."

    James Bays, o correspondente sênior da versão do canal Al Jazeera em inglês na ONU, contou:

    "Era evidente que até os opositores da Rússia na sala de reuniões do Conselho de Segurança da ONU sentiam respeito pela inteligência, capacidades e conhecimento de todos os procedimentos da ONU que o embaixador Churkin demonstrava. No ano passado, ele me criticou ferozmente por uma pergunta sobre a política [russa] na Síria. Em outro dia, ele falou [comigo] da mesma forma amigável de sempre. Parece que ele nunca considerava estas questões como algo pessoal."

    Outro jornalista conhecido, Louis Charbonneau, que foi chefe do departamento da Reuters na ONU até 2016, afirmou que "embaixador Churkin era sagaz, espirituoso e apaixonado. Ele nunca evitou os correspondentes após as reuniões do Conselho de Segurança da ONU… Ele podia responder de modo duro se não gostasse da pergunta ou se não estivesse de acordo com ela. Eu fui bronqueado por ele muitas vezes".

    "Ele também era uma cabeça quente. Uma vez, vários porta-vozes das delegações ocidentais me falavam algo em voz baixa enquanto Churkin estava discursando perante os jornalistas na zona de imprensa do conselho de Segurança da ONU. Ele parou e exigiu que eles ficassem quietos, ou ele os castigaria. Mas ele também os encantava. Uma vez, eu lhe disse que ele figurava em um livro sobre a guerra na Bósnia [Churkin foi enviado especial do presidente russo para a solução da crise bósnia]. Ele pediu para eu lhe emprestar o livro. Eu lhe dei, ele evidentemente o leu, já que depois disse que era um bom livro e que retratava vários aspetos de modo justo."

    A correspondente especial da Agence France-Presse na ONU, Carole Landry, partilhou:

    "Na ONU, fiquei perplexa com sua disponibilidade para comunicar com os jornalistas, ele passou bastante tempo respondendo às perguntas sobre a política da Rússia de modo bem escrupuloso. Ele era intransigente e parecia que aqueles que o tentavam encurralar logo se davam conta que não havia iguais a Vitaly Churkin."

    Muitos jornalistas, por exemplo, Margaret Besheer, da Voz da América, ressaltaram: havia muitos (no meio da mídia ocidental) que não estavam de acordo com suas ideias e posturas, mas todos reconheciam sua inteligência colossal e profissionalismo. Era alguém que muito dificilmente se pode substituir.

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    embaixador, diplomata, morte, Reuters, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, ONU, Vitaly Churkin, Rússia
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