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    Nesta segunda-feira (26), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan afirmou que a Turquia está "decepcionada" com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de reconhecer o massacre de 1,5 milhão de armênios como um genocídio e pediu que Washington volte atrás.

    Erdogan alertou ainda que as recentes declarações do presidente norte-americano terão um "impacto destrutivo" nas relações entre os países, dificultando os laços bilaterais.

    No sábado (24), aniversário de 106 anos do início do massacre, o presidente Biden tornou-se o primeiro mandatário norte-americano a reconhecer oficialmente o genocídio armênio, o que gerou reações negativas de Ancara.

    A Turquia historicamente rejeita o uso do termo genocídio para descrever o massacre de armênios durante o Império Otomano, no início do século XX. Para Ancara, o governo da época nunca teve a intenção de matar deliberadamente o povo armênio e respondeu apenas a uma revolta.

    Em Pittsburgh, no estado norte-americano da Pennsylvania, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa sobre plano de infraestrutura do governo, em 31 de março de 2021
    © REUTERS / Jonathan Ernst
    Em Pittsburgh, no estado norte-americano da Pennsylvania, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa sobre plano de infraestrutura do governo, em 31 de março de 2021

    Na declaração desta segunda-feira (26), Erdogan alertou os EUA contra a politização dos eventos históricos, enfatizando que os historiadores, e não os políticos, devem determinar como rotulá-los. O presidente turco alegou ainda que as "iniciativas radicais dos círculos armênios e anti-turcos" estão por trás da decisão de Biden de reconhecer o genocídio.

    "O presidente Biden dos Estados Unidos fez declarações antes. São afirmações infundadas que contradizem a história", disse Erdogan.

    O presidente turco disse que a oferta da Turquia de abrir seus arquivos para permitir que um grupo conjunto de historiadores estude os eventos centenários continua valendo. Erdogan ainda questionou os dados usados pelos EUA para embasar o reconhecimento do genocídio armênio, solicitando que Washington os disponibilize para a Turquia.

    "As gangues armênias não lutavam contra os militares comuns, mas estavam matando pessoas inocentes [no Império Otomano]", disse Erdogan, de acordo com sua versão dos eventos iniciados em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial.

    O presidente turco disse ainda que Washington deveria "se olhar no espelho", argumentando que a questão do genocídio poderia ser levantada em relação a muitas ações dos norte-americanos - desde o tratamento que deram aos nativos, às guerras dos EUA no Vietnã e no Iraque.

    Consequências para os laços EUA-Turquia

    Erdogan não detalhou o que classificou como "impacto destrutivo" que o reconhecimento de Biden do genocídio terá nas relações bilaterais. O presidente turco apenas ressaltou que espera "abrir uma nova porta" nas relações após discutir todos os desentendimentos com o presidente dos EUA em junho deste ano, quando ambos devem se encontrar durante uma cúpula da OTAN.

    Bandeiras dos EUA e da Turquia
    © Sputnik / Yevgeny Biyatov
    Bandeiras dos EUA e da Turquia

    Apesar disso, segundo publicou a Bloomberg, Ancara pondera suspender o Acordo de Defesa e Cooperação Econômica com Washington, que permite aos dois países cooperar nas áreas de compartilhamento de inteligência e exercícios militares, além de conceder aos EUA acesso às bases militares turcas.

    Ainda segundo a publicação, Washington usou as bases turcas para realizar operações no Iraque e na Síria, e também para armazenar armas nucleares táticas. Em momentos de tensão anteriores com Washington, Erdogan ameaçou tomar medidas semelhantes, apesar de não concretizar as ameaças.

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    Tags:
    Recep Tayyip Erdogan, Joe Biden, Turquia, Armênia, Estados Unidos, EUA, Washington, Ancara
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