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    Paul Rusesabagina, homem que inspirou o filme de sucesso "Hotel Ruanda", foi a julgamento nesta quarta-feira (17) por acusações de terrorismo.

    Em agosto de 2020, Rusesabagina desapareceu durante uma visita a Dubai e, dias depois, apareceu algemado em Ruanda, acusado de apoiar uma organização de oposição que reivindicou a responsabilidade por ataques violentos.

    Parentes e advogados de Rusesabagina dizem que o ex-hoteleiro foi sequestrado no exterior e levado para Ruanda ilegalmente. Além disso, alegam que, como ele é um crítico declarado do governo, não pode receber um julgamento justo.

    Além de apologia ao terrorismo, Rusesabagina foi acusado também de outros 12 crimes. Ele compareceu ao tribunal ao lado de outras 20 pessoas que enfrentam acusações semelhantes por apoiar a Frente de Libertação Nacional, proibida pelo governo local.

    A equipe jurídica de Rusesabagina argumentou que ele não pode ser julgado em Ruanda até que seja estabelecido se sua extradição de Dubai foi legal.

    "Deixe-me dizer isso de novo, como já disse muitas vezes. Não sou ruandês. Sou belga. O arquivo do meu caso deve refletir isso", disse Rusesabagina aos juízes, no tribunal, conforme noticiado pela AFP.

    O promotor Bonaventure Ruberwa, no entanto, disse que os pais de Rusesabagina eram ruandeses e que ele nunca renunciou à cidadania de Ruanda.

    © AFP 2021 / Stephen Shugerman
    Paul Rusesabagina, que foi interpretado como herói do filme Hotel Ruanda pelo ator Don Cheadle, assina cartas do longa-metragem em Hollywood, Los Angeles (EUA) no dia 6 de dezembro de 2004

    Diante da situação, diferentes países pressionam Ruanda para que o país garanta um julgamento justo para Rusesabagina.

    Trinta e sete membros do Congresso dos Estados Unidos solicitaram em conjunto a libertação do ex-hoteleiro, ecoando uma resolução do Parlamento Europeu. Os Estados Unidos disseram ainda que pediram informações sobre como Rusesabagina voltou a Ruanda.

    "Continuamos a instar o governo de Ruanda a fornecer tratamento humano, respeito ao Estado de Direito e a fornecer um processo legal justo e transparente, incluindo acesso a um advogado de sua escolha", disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, a repórteres.
    Líderes da União Africana , União Europeia e o presidente de Ruanda participam de homenagem ao aniversário de 25 anos do genocídio que deixou 800 mil tutsis e hutus mortos em apenas 10 dias em Ruanda.
    © AP Photo / Ben Curtis
    Líderes da União Africana , União Europeia e o presidente de Ruanda participam de homenagem ao aniversário de 25 anos do genocídio que deixou 800 mil tutsis e hutus mortos em apenas 10 dias em Ruanda.

    Paul Rusesabagina abrigou centenas de ruandeses dentro de um hotel que ele administrava durante o genocídio de 1994 no país, no qual 800.000 pessoas (a maioria do grupo étnico tutsi, mas também hutus moderados) foram massacrados.

    Anos após ganhar fama com o filme de Hollywood, Rusesabagina apareceu como ferrenho crítico do presidente ruandês, Paul Kagame, tornando-se inimigo do Estado. Kagame está no poder desde 1994 e é acusado por críticos de governar por medo e atacar violentamente os opositores.

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    Tags:
    Dubai, terrorismo, julgamento, hutus, tutsis, África, genocídio, Paul Kagame, Ruanda
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