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    Neste domingo (25), lojas e restaurantes do Qatar, incluindo a gigante varejista qatarense Al Meera, anunciaram um boicote contra produtos franceses em protesto contra a declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, defendendo intensificar a batalha contra o radicalismo islâmico na França.

    A família do emir do Qatar divulgou em suas redes sociais uma lista de marcas francesas que são vendidas no país e instou seus cidadãos a não comprarem os produtos das empresas. A varejista Al Meera também divulgou em redes sociais que removeu todos os produtos franceses de suas lojas até segundo aviso.

    Já a Universidade do Qatar decidiu adiar um evento cultural que seria realizado durante o ano da França no Qatar, dizendo que "quaisquer ataques contra o Islã e seus símbolos são inaceitáveis".

    Diante de pedidos semelhantes de boicote em outros países islâmicos, a chancelaria francesa emitiu um comunicado neste domingo (25) afirmando que as medidas não têm fundamento.

    "Os pedidos de boicote não têm fundamento e devem ser interrompidos imediatamente, como todos os ataques contra nosso país cometidos por uma minoria radical", disse o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da França.

    No sábado (24), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, também criticou Macron, chegando a dizer que o presidente francês precisa de "tratamento mental". Em resposta, a França convocou seu embaixador na Turquia de volta a Paris.

    Em Doha, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (à esquerda), se encontra com o Emir do Qatar, Sheikh Tamin bin Hamad al-Thani, em 7 de outubro de 2020
    © REUTERS / Assessoria de Imprensa da Presidência
    Em Doha, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (à esquerda), se encontra com o Emir do Qatar, Sheikh Tamin bin Hamad al-Thani, em 7 de outubro de 2020

    Em 21 de outubro, Macron fez um discurso durante uma cerimônia em homenagem ao professor de História francês, Samuel Paty, que foi brutalmente assassinado por um radical islâmico. No discurso, o francês pediu para "libertar o Islã na França da influência estrangeira e fortalecer o controle sobre o financiamento das mesquitas" e também enfatizou que a França continuará a defender a liberdade de expressão.

    Em 16 de outubro, a França foi abalada pela decapitação de Paty nos arredores de Paris. O professor havia mostrado caricaturas do profeta islâmico Maomé a seus alunos como parte de uma discussão sobre liberdade de expressão. O assassino foi morto a tiros pela polícia no mesmo dia e o assassinato foi classificado como ato terrorista pelo governo francês.

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    Tags:
    Recep Tayyip Erdogan, Turquia, Emmanuel Macron, Qatar, França
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