05:00 29 Outubro 2020
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    Os Estados Unidos fracassaram na tentativa de restaurar as sanções internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Teerã, o que marca uma vitória da diplomacia iraniana, disse o presidente do Irã, Hassan Rouhani, neste domingo (20).

    No sábado (19), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou que todas as sanções suspensas da ONU contra o Irã foram retomadas sob o mecanismo de restauração imediata da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da organização. A declaração foi prontamente rejeitada como falsa pela Rússia, assim como por Josep Borrell, chefe de política externa da União Europeia (UE) e coordenador da Comissão Conjunta do Plano Conjunto e Ação Integral (JCPOA).

    "Hoje é um dia memorável na história de nossa diplomacia. Os Estados Unidos, como um país que pressiona por [seus interesses] por meio da força, tem feito um esforço sério por cerca de dois anos e meio para restaurar as sanções da ONU contra a nação iraniana - um processo que chegou ao seu colapso inevitável nos últimos meses", disse Rouhani em um discurso na televisão iraniana, conforme publicou o portal Tasnim News.
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo durante briefing à imprensa, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, 20 de agosto de 2020
    © REUTERS / Mike Segar
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo durante briefing à imprensa, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, 20 de agosto de 2020

    De acordo com o presidente iraniano, os EUA vêm tentando montar uma coalizão anti-iraniana desde que se retiraram do JCPOA, em 2018, bem como provocar Teerã a empreender ações que dariam a Washington motivos legítimos para restaurar as sanções.

    "Felizmente, os Estados Unidos encontraram fracasso e reações negativas da comunidade internacional, mesmo de seus aliados tradicionais, em absolutamente todas as fases deste período", disse Rouhani.

    O presidente iraniano ainda lançou mão de um trocadilho, dizendo que a política de "pressão máxima" de Washington sobre o Irã levou ao seu próprio "isolamento máximo".

    Rouhani disse que a expectativa dos EUA de apoio incondicional do Conselho de Segurança da ONU fracassou, agradecendo a Rússia e a China, em particular, por seu apoio em meio à pressão de Washington.

    O líder iraniano prometeu estar pronto para combater o que descreveu como "banditismo" de Washington, bem como prometeu estar preparado para voltar a implementar plenamente as obrigações sob o acordo nuclear de 2015 assim que todos os outros signatários fizerem o mesmo.

    Em Teerã, manifestantes queimam bandeira dos Estados Unidos em comemoração do aniversário da Revolução Islâmica do Irã
    © AP Photo / Ebrahim Noroozi
    Em Teerã, manifestantes queimam bandeira dos Estados Unidos em comemoração do aniversário da Revolução Islâmica do Irã

    O JCPOA foi assinado em 2015 por Irã, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia, estipulando a retirada de sanções internacionais de Teerã em troca da redução do programa nuclear iraniano. O acordo foi consagrado na Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU.

    O acordo, porém, durou pouco, pois os EUA retiraram-se unilateralmente do JCPOA, em 2018, e impuseram sanções ao Irã, às quais este último respondeu abandonando gradualmente seus próprios compromissos estipulados no acordo.

    No início deste ano, os EUA tentaram empreender uma campanha pela restauração das sanções internacionais contra o Irã, especificamente uma extensão do embargo de armas, mas todas as tentativas fracassaram.

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    Tags:
    Washington, Teerã, ONU, EUA, Irã, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA)
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