05:26 23 Outubro 2020
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    A forte explosão ocorrida nesta terça-feira (4) em Beirute, no Líbano, deixou um rastro de mortos e destruição em um país que já sofria por uma crise econômica e a pandemia da COVID-19. 

    A tragédia deixou pelo menos 78 mortos e cerca de 4.000 feridos, mas a previsão é de que os números aumentem, pois muitas pessoas ainda estão sob os escombros. 

    Mais de 30 brigadas da Cruz Vermelha trabalham nos locais afetados e equipes de resgate atuam para encontrar feridos e retirar corpos. 

    Substância já foi causa de tragédias 

    Segundo autoridades, a causa da explosão pode ter sido a detonação acidental de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, que estavam armazenadas há seis anos sem as medidas de segurança necessárias, em um depósito no porto da capital libanesa.

    • Rua do bairro Mar Mikhael, na capital libanesa, Beirute, após fortes explosões atingirem a zona portuária da cidade
      Rua do bairro Mar Mikhael, na capital libanesa, Beirute, após fortes explosões atingirem a zona portuária da cidade
      © AFP 2020 / PATRICK BAZ
    • Estragos provocados pelas explosões na zona portuária de Beirute, capital do Líbano
      Estragos provocados pelas explosões na zona portuária de Beirute, capital do Líbano
      © AFP 2020 / Anwar Amro
    • Carros com enormes estragos provocados pelas explosões no porto de Beirute, Líbano
      Carros com enormes estragos provocados pelas explosões no porto de Beirute, Líbano
      © AFP 2020 / PATRICK BAZ
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    © AFP 2020 / PATRICK BAZ
    Rua do bairro Mar Mikhael, na capital libanesa, Beirute, após fortes explosões atingirem a zona portuária da cidade

    A substância, sem odor e cristalina, é frequentemente usada como fertilizante e na fabricação de bombas, e já foi causa de explosões industriais no passado: como de uma fábrica no Texas, em 2013, que deixou 15 pessoas mortas e foi considerada criminosa, e de uma outra em Toulouse, em 2001, que matou 31 pessoas e foi apontada como acidental. 

    Explosão gerou impacto de terremoto de 3,5 graus

    O impacto da explosão, a mais destrutiva da história do Líbano, atingiu a força de um terremoto de 3,5 graus nas escala Richter, segundo o Centro de Pesquisa Alemão para Geociências. Segundo estimativas do Observatório Sismológico da Jordânia, a explosão teve a força de um terremoto de magnitude 4,5 na escala Richter. O barulho foi escutado a uma distância de até 200 quilômetros, chegando até o Chipre. 

    A explosão danificou janelas de prédios localizados a quilômetros de distância do local onde ela ocorreu, na zona portuária, onde residem muitos cristãos. 

    Terrorismo foi descartado

    Informes iniciais desconsideraram se tratar de um atentado terrorista. Foi apontada a possibilidade de que uma fábrica de fogos de artifício tivesse explodido, o que foi posteriormente negado pelas autoridades. 

    Uma fonte anônima de Israel negou que o país tenha algo a ver com ocorrido, segundo relatou a agência AP. O Hezbollah afirmou para a mídia local que um suposto esconderijo de armas no porto não tinha sido atingido por um míssil.

    Comitê investigativo é criado

    O presidente do Líbano, Michel Aoun, convocou uma reunião de emergência nesta quarta-feira (5). A expectativa é de que seja declarado estado de emergência de duas semanas. 

    O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, anunciou que um comitê investigativo foi criado para determinar os responsáveis pela tragédia dentro de cinco dias. Segundo ele, as famílias das vítimas seriam indenizadas. "Os culpados vão pagar o preço", disse ele, segundo a agência Reuters.

    Hospitais ficaram lotados

    A conexão de Internet em Beirute está funcionando de maneira irregular e não há eletricidade em diversos distritos. O sinal de telefone também apresenta problemas. 

    Os hospitais da capital rapidamente ficaram lotados com feridos, que também passaram a ser levados para centros médicos nas redondezas de Beirute. Autoridades sanitárias fizeram pedidos para receber sangue e geradores de energia. 

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    Tags:
    fertilizantes, bombas, amônio, Michel Aoun, novo coronavírus, crise, tragédia, explosão, mortos, Cruz Vermelha, Beirute, Líbano
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