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    Em resposta à decisão israelense de anexar partes da Cisjordânia, a Palestina anunciou em 19 de maio sua retirada de todos os acordos com Israel e os Estados Unidos.

    Questionados pela Sputnik Árabe, vários especialistas avaliaram essa postura tomada por Mahmoud Abbas e as consequências que ela poderia ter para o futuro.

    A recente decisão de Mahmoud Abbas de retirar a Palestina de todos os acordos anteriores celebrados com Israel e os Estados Unidos, incluindo o acordo de Oslo de 1991, é a única medida possível para proteger os territórios da Cisjordânia das intenções israelenses, afirmou à Sputnik o secretário do Conselho Revolucionário do movimento palestino Fatah, Fayez Abu Ayta.

    "Não é culpa nossa que estejamos agora no limiar de uma nova fase, de um novo grande confronto com Israel. Somente quebrando todas os compromissos assumidos com Washington e Tel Aviv a Palestina pode defender seu direito de existir e de ter seu próprio território", afirmou Ayta.

    Para o membro do Fatah, "já dissemos que impediríamos a realização do 'Acordo do Século'", garantindo que "quanto mais longe for Israel, mais duras serão as respostas da Palestina".

    Tropas israelenses montam guarda enquanto palestinos, comemorando o 72º aniversário de Nakba, protestam contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, 15 de maio de 2020
    © REUTERS / Mohamad Torokman
    Tropas israelenses montam guarda enquanto palestinos, comemorando o 72º aniversário de Nakba, protestam contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, 15 de maio de 2020

    Por sua vez, Usamah Shaat, professor de ciências políticas da Universidade Al-Quds, disse em comentário à Sputnik acreditar que a decisão de Mahmoud Abbas pode se tornar um ponto de inflexão no conflito israelo-palestino.

    "Obviamente, esta decisão foi resultado da necessidade urgente de salvar a Palestina de uma anexação quase total. Se os israelenses anexarem o Vale do Jordão, as esperanças de um Estado árabe dentro das fronteiras de 1967 vão desaparecer. Isso não pode acontecer", observou.

    O papel de Washington

    A Sputnik também entrevistou o parlamentar israelense Ahmad Tibi, um dos líderes do partido Lista Árabe Unida, o único partido no Knesset (parlamento de Israel) que se opôs à anexação.

    Tibi informou que o projeto estava sendo discutido, para além do Knesset, por uma comissão especial chefiada pelo embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.

    Netanyahu e David Friedman assistem teste de míssil Arrow 3
    © AP Photo / Menahem Kahana
    Netanyahu e David Friedman assistem teste de míssil Arrow 3
    Ahmad Tibi denuncia a intransigência de Friedman, dizendo que "suas ações e visão são muito mais radicais que as dos representantes do Likud e da Aliança Azul e Branca".

    Segundo Tibi, a Rússia quer evitar a anexação, tentando reunir um quarteto sob os auspícios da ONU, trazendo dessa forma multipolaridade para a solução do conflito e retirando alguma influência a Washington.

    "Poderia tal fato levar a uma mudança na posição norte-americana? Talvez, mas o problema nem são os Estados Unidos. É Israel quem deve desistir da anexação. Em caso contrário, Israel iniciará o procedimento sem qualquer apoio visível dos EUA", previu o parlamentar árabe israelense.

    Voz de Moscou poderia ser escutada

    Segundo o especialista egípcio sobre o conflito israelo-palestino Abdel Mahdi Mutawaa, a Rússia deve intervir porque só ela pode agir como uma terceira parte, tendo a confiança tanto de Israel quanto da Palestina.

    "Dado o peso da Rússia na região do Oriente Médio, sua mediação pode desempenhar um papel fundamental na resolução da crescente escalada do conflito. Ao mesmo tempo, a Rússia é um parceiro estrategicamente importante para Israel e tem sido um forte apoiante da Palestina desde há muitos anos. Portanto, há uma grande chance de que ambos os lados ouçam a voz de Moscou", explicou o especialista.

    Projetos israelenses na Cisjordânia

    Em 17 de maio, o premiê israelense Netanyahu anunciou diante do Knesset – reunido para apreciar um voto de confiança a seu governo de unidade com Benny Gantz – que havia chegado o momento de anexar partes da Cisjordânia.

    Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ministro da Defesa, Benny Gantz, após posse do governo, no parlamento israelense Knesset, 17 de maio de 2020
    © REUTERS / Escritório do porta-voz do Knesset
    Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ministro da Defesa, Benny Gantz, após posse do governo, no parlamento israelense Knesset, 17 de maio de 2020

    O acordo de partilha de poder entre Netanyahu e Gantz prevê o anúncio, a partir de 1º de julho, de uma estratégia para implementar o plano norte-americano de resolução do conflito israelo-palestino, o chamado "Acordo do Século".

    De acordo com esse plano, Israel poderia anexar o Vale do Jordão e vários assentamentos israelenses na Cisjordânia.

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    Tags:
    Cisjordânia, Rússia, EUA, Israel, Palestina, Palestina
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