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    O chefe do órgão atômico da ONU pediu nesta segunda-feira que o Irã "coopere imediata e totalmente" com um acordo nuclear histórico com as potências mundiais que está pendurado por um fio.

    A agência solicitou ao Irã que desse acesso a dois locais e disse que Teerã não se engajou "em discussões substantivas" para esclarecer as perguntas da agência, disse Rafael Grossi, o novo chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

    Grossi afirmou que a AIEA levantou questões "relacionadas a possíveis materiais nucleares não declarados e atividades relacionadas a nucleares em três locais que não foram declarados pelo Irã".

    Ele acrescentou que a falta de acesso a dois dos três locais e o fracasso do Irã em negociar "estavam afetando adversamente a capacidade da agência de fornecer garantia credível da ausência de material e atividades nucleares não declaradas no Irã".

    Um relatório da AIEA na semana passada revelou que Teerã recusou o acesso da agência em janeiro aos dois locais. Diplomatas dizem que isso está relacionado aos supostos projetos nucleares do Irã nos anos 2000, e não às atividades atuais.

    Mas o foco renovado no programa histórico do Irã pode aumentar as tensões atuais.

    Bandeira da Agência Internacional de Energia Atômica em frente da sede da organização em Viena
    © AFP 2020 / JOE KLAMAR
    Bandeira da Agência Internacional de Energia Atômica em frente da sede da organização em Viena

    O embaixador do Irã na ONU em Viena, Kazem Gharib Abadi, declarou na semana passada que Teerã não tem obrigação de conceder acesso à AIEA a locais se considerar que os pedidos se baseiam em "informações fabricadas", acusando os EUA e Israel de tentar "exercer pressão sobre a agência".

    Israel garantiu que seus serviços de inteligência têm novas informações sobre o suposto programa anterior de armas nucleares no Irã.

    Um segundo relatório da AIEA na semana passada descreveu as violações continuadas do Irã dos termos do acordo nuclear de 2015, mas não relatou nenhuma restrição no acesso às instalações nucleares.

    Falando em uma reunião trimestral da Assembleia de Governadores da AIEA, com 35 membros, Grossi disse "até o momento, a agência não observou nenhuma mudança na implementação do Irã de seus compromissos relacionados à energia nuclear" desde janeiro, quando Teerã anunciou que cessaria todas as obrigações.

    O acordo de 2015 - oferecendo alívio às sanções a Teerã em troca de restrições às suas atividades nucleares - tem vacilado desde que os EUA se retiraram dele em 2018 e restabeleceram duras sanções ao Irã.

    Isso levou Teerã a abandonar progressivamente as restrições do acordo desde o ano passado.

    Outras partes do acordo - China, Reino Unido, Alemanha, França e Rússia - se reuniram com Teerã para tentar salvar o acordo.

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    Tags:
    diplomacia, desnuclearização, pacto nuclear, usina nuclear, armas nucleares, Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ONU, Israel, Estados Unidos, Irã
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