21:12 22 Novembro 2019
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    Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia

    'Faremos nossa zona segura': Erdogan acusa os EUA de favorecer 'terroristas' na Síria

    © REUTERS / Umit Bektas
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    As patrulhas norte-americanas e turcas no norte da Síria tiveram um início difícil, com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan acusando seus aliados estadunidenses de tomar partido de "terroristas" e ameaçando sua própria "zona segura" se as negociações nos EUA parassem.

    "Parece que o aliado da Turquia está atrás de uma zona segura no norte da Síria, não para a Turquia, mas para o grupo terrorista. Rejeitamos essa abordagem", afirmou Erdogan perante uma multidão de apoiadores em Malatya no domingo.

    Em agosto, oficiais militares turcos e norte-americanos concordaram em criar uma zona segura no norte da Síria e desenvolver um "corredor da paz" para facilitar o retorno dos sírios deslocados. Os dois aliados da OTAN também planejam estabelecer um centro de operações conjunto. No entanto, Washington quer abrigar seus aliados curdos na zona, enquanto Erdogan os quer removidos, já que a Turquia os considera terroristas.

    "Se a formação de fato de uma zona segura a leste do rio Eufrates com soldados turcos não for iniciada até o final de setembro, a Turquia não terá escolha a não ser partir sozinha", continuou Erdogan.

    Conflito com curdos

    A Turquia realiza uma campanha militar de baixa intensidade contra as milícias curdas ao longo de sua fronteira com a Síria há quatro décadas, uma campanha que matou quase 40.000 pessoas, a maioria curdas.

    Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia
    © AP Photo / Ibrahim Usta
    Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia

    No entanto, os curdos na Síria são aliados dos EUA na luta contra terroristas do Estado Islâmico, uma situação que irrita Ancara. No domingo, Erdogan comparou vários grupos de milícias curdas ao próprio Estado Islâmico e criticou os EUA por apoiá-los.

    "Queremos criar uma área limpa de Daesh [proibido na Rússia e em vários outros países] junto com o PKK e suas extensões PYD-YPG-SDG", prosseguiu ele. "Somente assim podemos garantir que nossos irmãos e irmãs sírios que vivem em nosso país, na Europa ou em outro lugar, podem voltar para suas casas e viver em paz e segurança".

    Quando Erdogan proferiu seu discurso, tropas norte-americanas e turcas embarcaram nas primeiras patrulhas conjuntas pelo local proposto da zona segura. Apoiados por drones e helicópteros de reconhecimento, as tropas partiram de perto da cidade fronteiriça turca de Akcakale na manhã de domingo.

    Se o tom das declarações de Erdogan é algo para continuar, o futuro de tais patrulhas já está em um começo difícil. Diferenças estratégicas à parte, o líder turco também chamou as atuais patrulhas inadequadas para cumprir os objetivos de ambos os lados.

    É "insuficiente" formar uma zona segura no norte da Síria com "3-5 voos de helicóptero, cinco a 10 patrulhas de veículos e algumas centenas de soldados na área", completou ele à multidão em Malatya.

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    Tags:
    relações bilaterais, diplomacia, Unidades Populares de Proteção do Curdistão (YPG), terroristas, Daesh, curdos, Recep Tayyip Erdogan, Síria, Estados Unidos, Turquia
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