03:49 17 Junho 2019
Ouvir Rádio
    Ex-ministro da Energia e Infraestrutura de Israel que foi condenado a 11 anos de prisão por espionagem para o Irã

    História de espiões: como ex-ministro israelense começou a espiar para Teerã

    © AP Photo / Ronen Zvulun/Pool
    Oriente Médio e África
    URL curta
    593

    Gonen Segev, ex-ministro da Energia e Infraestrutura de Israel, foi condenado a 11 anos de prisão, depois de ter admitido que fornecia informações secretas ao Irã. A Sputnik falou com dois analistas, um iraniano e um israelense, para obter dois pontos de vista sobre esse assunto.

    Em 26 de fevereiro, Gonen Segev, ministro da Energia e Infraestrutura de Israel entre 1995 e 1996, foi condenado a 11 anos de prisão por espionagem para o Irã.

    Segundo a inteligência israelense, Gonen, que nos últimos tempos vivia na Nigéria, colaborou com a inteligência iraniana desde 2012 e lhe forneceu informações secretas sobre Israel, usando seus antigos contatos. 

    Mas que informação o antigo ministro israelense poderia ter fornecido à inteligência iraniana? Quão valiosa ela era para o Irã?

    Ponto de vista iraniano 

    Para Seyed Hadi Borhani, professor da Universidade de Teerã, levando em conta que os serviços secretos israelenses realizam atividades anti-iranianas, o Irã é forçado a adotar contramedidas.

    "Com base nos dados da mídia, podemos concluir que os serviços de inteligência israelenses estão conduzindo atividades subversivas anti-iranianas, por exemplo assassinatos de cientistas nucleares iranianos no Irã. O Irã está em uma situação em que deve se defender contra essas ações. Para sua defesa, ele deve dispor de informações completas sobre os programas, soluções, projetos e inteligência de Israel", explicou ele à Sputnik Persa.

    Segundo Borhani, através de Segev, o Irã conseguiu obter algumas informações importantes. 

    "Levando em conta [as atividades anti-iranianas de Israel], o Irã desenvolveu projetos com vista a se infiltrar em Israel e obter informações. O Irã conseguiu ‘pegar’ o ministro israelense na Nigéria e obter informações através dele", opinou o professor.

    Respondendo à pergunta sobre os interesses do Irã na Nigéria, Borhani disse: "Em minha opinião, essas duas questões não estão relacionadas. Estamos falando da guerra entre as inteligências dos dois países, que está acontecendo em outros países do mundo. Quanto a este ex-ministro, o Irã encontrou-o na Nigéria, porque ele estava e trabalhava ali. Não há outro motivo".

    Ponto de vista israelense 

    Em entrevista à Sputnik Persa, o analista israelense em relações internacionais e segurança do Instituto de Pesquisas de Segurança Nacional (INSS), Simon Tsipis, revelou que Segev nunca trabalhou nas entidades militares de Israel. Portanto, em princípio, os serviços de inteligência tinham dúvidas sobre por que é que Segev poderia ser valioso para os iranianos.

    Entretanto, ao estudar cuidadosamente essa questão, a inteligência israelense veio a saber que foi próprio Gonen Segev que tomou a iniciativa e entrou em contato com diplomatas iranianos na Nigéria. A razão de seu comportamento é trivial: ressentimento pessoal devido a ter sido afastado do cargo de ministro, revelou Tsipis.

    "Embora esse cidadão não tenha informações muito valiosas para os iranianos, Israel usou este caso nos seus próprios interesses. Nosso tribunal entrou em acordo com ele, porque Segev começou a cooperar. Nossos serviços de inteligência conseguiram obter informações valiosas sobre espiões iranianos. Ou seja, foram reveladas identidades dos agentes de inteligência iranianos que atuam sob disfarce de diplomatas na África, com quem Segev havia falado", explicou ele.

    Mais:

    Avião espião dos EUA teria passado horas sobrevoando perto da Venezuela
    Procuradores britânicos nomeiam 2 russos suspeitos de terem envenenado ex-espião Skripal
    Ex-espião russo Sergei Skripal teve alta do hospital em Salisbury
    Tags:
    tribunal, serviço secreto, espião, Nigéria, Irã, Israel
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar