00:30 21 Setembro 2019
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    Combatente curdo das Unidades de Proteção Popular (YPG) em Al-Hasakah, norte da Síria

    Político curdo revela para quem é vantajosa a operação turca na Síria

    © REUTERS / Rodi Said
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    A operação militar do Exército turco, que poderá começar na cidade síria de Manbij e ao leste do rio Eufrates, traz vantagens para a Turquia, para os EUA e para os grupos terroristas do Daesh, opina o político curdo das Unidades de Proteção Popular (YPG), Reizan Hedu.

    O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou que a Turquia estava prestes a começar uma operação na cidade síria de Manbij contra as YPG se os Estados Unidos não retirassem de lá as milícias curdas. O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), por sua vez, anunciou que responderia à Turquia de maneira dura no caso de se iniciar a operação contra as forças curdas na Síria.

    "Os primeiros a obter vantagens é o Daesh [proibido na Rússia e em vários outros países]. Cada vez que o cerco se aperta em redor deles, eles recebem um cabo de salvação. O segundo a aproveitar é Erdogan, por exportar os problemas fora do país", declarou Hedu.

    Segundo o político curdo, hoje em dia os curdos anunciam seus êxitos na operação contra o Daesh em Deir ez-Zor e junto à fronteira iraquiana. Se a operação em Manbij começar, as Forças Democráticas Sírias serão obrigadas a deslocar forças para essa linha de frente, o que enfraqueceria suas posições na frente contra o Daesh, ou seja, os terroristas terão uma espécie de pausa.

    Hedu opina que a Turquia está passando por uma grave crise econômica, agravada por relatórios dos países ocidentais sobre violações de direitos humanos e torturas nas cadeias. Além disso, Erdogan tenta obter o apoio dos nacionalistas turcos nas próximas eleições e desencadear um novo conflito para distrair a atenção do não-cumprimento de obrigações perante a Rússia e o Irã, sublinhou.

    A terceira parte que recebe vantagens da operação no leste do rio Eufrates, são os EUA, garantindo para si cobertura internacional para justificar a sua presença na Síria. Os EUA têm intenção de se posicionarem como uma força pacificadora que separa as duas forças, tentando continuar a guerra na Síria e adiar decisão para receber mais proveitos, disse Hedu.

    Para ele, a Turquia não tem força suficiente para tomar uma decisão independente sem aprovação de Washington. "Vale a pena lembrar que, depois da ocupação de Afrin pelas forças turcas, quase todo o norte sírio está sob influência da OTAN. Washington está ao leste do Eufrates, a Turquia — a oeste do rio", acrescentou o político curdo.

    No início desta semana, Erdogan anunciou sua intenção de lançar uma operação militar nas áreas curdas "em poucos dias". No discurso, ele confirmou esses planos, dizendo que a Turquia estava determinada a levar paz e segurança às áreas ao leste do Eufrates.

    Os EUA alertaram a Turquia contra a implementação dos planos, dizendo que uma ação militar unilateral prejudicaria a cooperação militar entre os dois países. O lado curdo disse que responderia fortemente a qualquer ataque da Turquia.

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    Tags:
    operação militar, terroristas, Unidades de Proteção Popular (YPG), Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Daesh, Recep Tayyip Erdogan, EUA, Turquia, Síria
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