12:11 19 Setembro 2018
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    Iraniana coberta passa por muro que retrata o revolucionário aiatolá Khomeini e a bandeira iraniana nacional, pintada na parede da antiga embaixada dos EUA, em Teerã, Irã

    Irã quer usar falas de Trump para processar os EUA, os 'criadores do Daesh'

    © AP Photo / Ebrahim Noroozi
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    O Irã quer processar os Estados Unidos por seu envolvimento indireto em dois ataques terroristas em Teerã no ano passado, alegando que o próprio presidente estadunidense repetidamente admitiu que os EUA são responsáveis pela ascensão do grupo terrorista Daesh.

    Durante sua campanha eleitoral, o presidente Donald Trump acusou repetidamente a administração de seu antecessor Barack Obama — em particular, a rival do Partido Democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton — de criar a organização terrorista islâmica.

    As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
    © AP Photo / Carlos Barria

    "Hillary Clinton criou [o Daesh] com Obama", afirmou Trump aos seus partidários em janeiro de 2016. Em uma entrevista ao programa 60 Minutos, da rede CBS e que foi ao ar em 17 de julho de 2016, ele reiterou: "Hillary Clinton inventou [o Daesh] com suas políticas estúpidas".

    Agora Teerã está transformando a retórica de Trump em um caso contra os EUA, culpando Washington pelo suposto papel de orquestrar ataques terroristas contra o Parlamento iraniano e o santuário do aiatolá Khomeini em Teerã em junho de 2017, pelo qual o Daesh reivindicou responsabilidade.

    "Durante a campanha presidencial, Trump falou claramente sobre o desempenho de sua rival, Clinton, dizendo que os EUA criaram [o Daesh]", disse Abolfazl Aboutorabi, membro da comissão judiciária do Parlamento, na última terça-feira.

    Observando que a palavra de um líder internacional deve ser confiável o suficiente para servir como prova em um tribunal, Aboutorabi anunciou que o Parlamento decidiu iniciar uma ação judicial contra Washington no tribunal "internacional".

    "O promotor público também entrou com uma ação judicial a esse respeito", acrescentou Aboutorabi, segundo a agência de notícias iraniana FARS.

    O caso

    Pelo menos 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em ataques com armas e bombas no Parlamento iraniano e no santuário do aiatolá Khomeini em Teerã em 7 de junho de 2017. De acordo com o Ministério de Inteligência iraniano, os cinco terroristas que foram neutralizados pelas forças de segurança eram cidadãos iranianos que ingressaram no Daesh antes de retornar ao Irã, no verão de 2016.

    A Guarda Revolucionária do Irã acusou a Arábia Saudita de planejar os ataques, dizendo que os ataques "aconteceram apenas uma semana depois da reunião entre o presidente dos Estados Unidos [Donald Trump] e os líderes atrasados [sauditas] que apoiam os terroristas". Sobre a tragédia, Teerã rejeitou essas "alegações de amizade".

    A ideia da República Islâmica de levar os EUA ao tribunal por "criar" o Daesh acontece menos de um mês depois que um juiz federal em Nova York considerou o Irã responsável pelas mortes de mais de mil pessoas nos ataques de 11 de setembro e ordenou que Teerã pagasse mais de US$ 6 bilhões em danos.

    O Irã rejeitou a decisão padrão do juiz George Daniels, acusando o sistema judicial norte-americano de tentativas de "reescrever a história". Em sua resposta, o Ministério de Relações Exteriores reiterou que o Irã não tem nada a ver com organizar ou financiar os ataques de 11 de setembro.

    Anteriormente, o juiz Daniels emitiu sentenças contra o Irã em 2011 e 2016, ordenando que a República Islâmica pagasse bilhões de dólares para as vítimas dos ataques, que mataram cerca de 3.000 pessoas.

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    Tags:
    atentados, 11 de setembro, acusação, processo, terrorismo, Parlamento do Irã, Daesh, George Daniels, Barack Obama, Hillary Clinton, Donald Trump, Abolfazl Aboutorabi, Arábia Saudita, Estados Unidos, Irã
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