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    Com exceção da Coreia do Norte, talvez nenhum país confronte tanto os EUA na época pós-Guerra Fria como o Irã, que não perde a oportunidade de limitar a influência de Washington.

    Se trata de uma estratégia meio arriscada, já que nos últimos anos os Estados Unidos cercaram o país com suas bases militares e seus gastos militares correspondem ao dobro do PIB do Irã: em um conflito militar convencional, o país persa não teria chance.

    Por essa razão, os iranianos estão desenvolvendo uma doutrina militar baseada em três de suas capacidades: um amplo arsenal de mísseis balísticos, a ameaça de uma guerra naval assimétrica – com possível bloqueio do estreito de Ormuz – e os laços com grupos militantes não estatais, assinala o portal Scout.

    Mísseis Sejil

    A ferramenta mais contundente do Irã é seu armamento, em particular a família de mísseis balísticos Shahab baseados em modelos norte-coreanos. Contudo, muitos outros de seus projetis também impressionam.

    O Sejil-1 é um míssil balístico superfície-superfície de dois estágios que Teerã testou pela primeira vez em 2008. Ao contrário dos mísseis Shahab, ele é a combustível sólido: este reduz o tempo de seu lançamento e melhora sua mobilidade.

    Caminhão militar levando míssil iraniano Sejil durante desfile militar em Teerã, Irã (imagem de arquivo)
    © AFP 2021 / CHAVOSH HOMAVANDI / AFP
    Caminhão militar levando míssil iraniano Sejil durante desfile militar em Teerã, Irã (imagem de arquivo)

    O alcance deste projetil é desconhecido, contudo, estima-se que seja de 2.000 a 2.500 quilômetros, fazendo com que o Irã possa atacar Israel e até o sudeste europeu com 750 quilos de carga útil.

    O Sejil-2 foi testado pela primeira vez em 2009 e é provável que ainda esteja em desenvolvimento. De acordo com Global Security, este pode levar três ogivas de 650 kg a 2.510 km ou uma ogiva de uma tonelada a 2 mil quilômetros.

    Seu "maior avanço" é a "precisão, algo que tradicionalmente falta em mísseis iranianos".

    Minissubmarinos da classe Ghadir

    De qualquer forma, talvez a maior opção de contenção por parte do Irã seja a sua capacidade de ameaçar a circulação de petróleo no estreito de Ormuz, onde passam cerca de 20% do suprimento mundial. De acordo com várias estimativas, os EUA gastaram cerca de US$ 8 trilhões (R$ 26,6 trilhões) para defender esse lugar desde 1976.

    A crescente frota de minissubmarinos iranianos da classe Ghadir seria especialmente mortífera em qualquer conflito. Esses submarinos são uma modificação da classe Yugo e Sango norte-coreana, cujo pequeno tamanho e rastro acústico os tornam particularmente difíceis de serem detectados e rastreados.

    Submarino iraniano da classe Ghadir (foto de arquivo)
    © AP Photo / Vahid Reza Alaei
    Submarino iraniano da classe Ghadir (foto de arquivo)

    Cada minissubmarino possui dois tubos de torpedo de 533 mm, sendo capaz de colocar minas e, de acordo com a mídia iraniana, poderia transportar e desembarcar forças especiais em território inimigo.

    Além de outros submarinos, o Irã tem pelo menos 20 submarinos da classe Ghadir em sua frota.

    Mísseis Khalij-e Fars

    O míssil balístico antinavio Khalij-e Fars é outro componente valioso das capacidades navais assimétricas do Irã.

    Este míssil balístico supersônico a combustível sólido tem um alcance de 300 km quando transporta 650 kg de carga útil. O projetil foi desenvolvido com base no Fateh-110, um míssil superfície-superfície de um estágio que o Irã testou pela primeira vez em 2002.

    Um teste realizado em 2013 demostrou que o míssil possui uma precisão de 8,5 metros.

    Milícias xiitas

    Desde que Teerã enviou representantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica para o Líbano, no início da década de 1980, visando apoiar a resistência à ocupação israelense, as milícias xiitas se tornaram uma de suas armas mais universais. Entre elas, vale destacar o movimento libanês Hezbollah, que ataca alvos israelenses mesmo fora do Oriente Médio.

    Após a invasão do Iraque em 2003, o Irã teria usado o Hezbollah para treinar milícias xiitas e aparentemente prestaria apoio semelhante aos rebeldes houthis iemenitas.

    O Hezbollah também tem sido uma força indispensável para apoiar o presidente da Síria, Bashar al-Assad, no conflito armado que o país enfrenta desde 2011.

    S-300

    Em 2007, a Rússia e Irã assinaram um contrato estipulando a entrega de sistemas de defesa antiaérea S-300 a Teerã, mas esse acordo foi suspenso para cumprir a resolução 1.929 do Conselho de Segurança da ONU, que proibia o fornecimento de armas modernas a Teerã.

    O sistema de mísseis S-300 terra-ar com alcance de 100 km
    © Sputnik / Uriy Shipilov
    O sistema de mísseis S-300 terra-ar com alcance de 100 km

    Em abril de 2015, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, revogou essa restrição e, em novembro desse ano, ambos os países ratificaram um novo acordo. Isso foi uma notícia desagradável para Washington, que se expressou contra este fornecimento durante muito tempo.

    Trata-se de um sistema que possui mísseis terra-ar de curto, médio e longo alcance para neutralizar aviões, mísseis de cruzeiro e balísticos e outros alvos que atingem uma velocidade de até 1.200 m/s em alturas a partir de 25 metros.

    Projetado pela URSS, o S-300 possui uma grande quantidade de versões e modernizações que diferem em alcance, velocidade de ataque, tipo de mísseis e radares, capacidade de proteção contra guerra eletrônica, etc.

    Os S-300 impediriam um ataque contra o Irã da maior parte dos aviões existentes, inclusive aviões furtivos.

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    Tags:
    Irã, EUA, Hezbollah, S-300, guerra, armas, mísseis, minissubmarino
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