15:54 07 Dezembro 2019
Ouvir Rádio
    Militares americanos e rebeldes do Maghaweer al-Thawra, apoiado pelos EUA, em Al Tanf, no sul da Síria

    Quem conquistará o 'triângulo do diabo' – o governo sírio ou coalizão internacional?

    © AP Photo / Hammurabi's Justice News
    Oriente Médio e África
    URL curta
    10317
    Nos siga no

    Os membros da coalizão internacional liderada pelos EUA comunicaram que planejam começar o avanço contra a cidade estratégica de Abu Kamal, na fronteira com o Iraque. Ao mesmo tempo, as tropas sírias estão se aproximando da área. Por que esse reduto jihadista é tão importante e que papel Washington aspira a desempenhar no futuro da Síria?

    Uma zona-chave

    Os especialistas dizem que, nesta guerra, o controle do "triângulo do diabo" tem importância estratégica. Trata-se de um território delimitado por três cidades: Resafa, Al Tanf e Abu Kamal. Deste modo, cada uma das cidades representa uma encruzilhada.

    Ao tomar Resafa (a antiga Sergiópolis romana) em junho de 2017, o Exército sírio desbloqueou o caminho para Deir ez-Zor. Al Tanf e Abu Kamal, por sua vez, são os corredores mais importantes na fronteira com o Iraque.

    Caso o Irã e seus aliados acabem por controlar essas três cidades, Teerã alcançaria seu objetivo estratégico, isto é, criar um corredor terrestre entre os territórios iraniano, iraquiano, sírio e libanês para o mar Mediterrâneo, afirma a edição Arutz Sheva.

    Anteriormente, o porta-voz da operação estadunidense Inherent Resolve (Resolução Inerente), coronel Ryan Dillon, informou que as Forças Democráticas da Síria (FDS), apoiadas pelos curdos, estão se preparando para lançar uma ofensiva contra a cidade de Abu Kamal.

    O ataque ocorrerá logo que os curdos, apoiados por Washington, consigam conquistar a região do maior campo petrolífero da Síria, Al Omar, adiantou Dillon.

    "E então vamos nos preparar para um ataque contra Abu Kamal, onde, como vemos, hoje em dia se encontra a maioria dos líderes do Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países]", sublinhou o militar.

    Os especialistas, por sua vez, concordam que a cidade de Abu Kamal é crucial para o avanço da operação antiterrorista na Síria.

    "Abu Kamal é a última grande cidade controlada pelo Daesh depois da libertação de Deir ez-Zor e Mayadin. Que eu saiba, um ataque contra esta cidade deve pôr o ponto final na guerra contra o Daesh, que se centrará nas áreas desérticas", disse o analista Vyacheslav Matuzov.

    Washington, Damasco, curdos e petróleo

    "O principal objetivo da coalizão dos EUA é assumir o controle da economia síria e, em primeiro lugar, de suas reservas de petróleo e gás natural", afirmou à Sputnik o governador da província de Deir ez-Zor, Muhammed Ibrahim Samra, em setembro de 2017.

    No entanto, levando em consideração que a Síria tinha reservas de petróleo relativamente pequenas, que apenas abasteciam o mercado interno, os especialistas concordam que controlar o "ouro preto" na região é uma questão política e não econômica.

    "Os americanos fizeram tudo, até tramaram uma conspiração com o Daesh, para evitar que o governo sírio controlasse as principais jazidas de petróleo", frisou Matuzov.
    Outro especialista assegura que os norte-americanos tentarão recorrer ao petróleo para pressionar o líder sírio Assad.

    "Será uma ferramenta política para pressionar Assad, mas também é um instrumento para negociar com ele", disse o cientista político Sergei Balmasov. Embora Washington esteja apostando nos curdos hoje em dia, o especialista admite que, no futuro, a situação pode mudar.

    "É difícil prever isso", disse.

    "A política dos EUA tem sido variável nos últimos anos. Eles podem apoiar ou apenas negociar com seus interesses", concluiu Balmasov.

    Mais:

    Putin e Erdogan concordam em intensificar luta antiterrorista na Síria
    Especialistas russos destroem em 24 horas quase 1.000 bombas na Síria
    'Na Síria começa a batalha pelos recursos'
    Tags:
    petróleo, curdos, Daesh, Forças Democráticas da Síria, Bashar Assad, Irã, Iraque, Síria, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar