02:01 22 Novembro 2019
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    Bandeira do Daesh no zona do conflito

    Crianças do califado: Daesh já tem pequenos terroristas dispostos a matar

    © Sputnik / Andrey Stenin
    Oriente Médio e África
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    O avanço do Daesh na Síria e no Iraque trouxe mais do que destruição e opressão para comunidades destes dois países. Crianças estão sendo, cada vez mais, cooptadas para as fileiras do califado islâmico, segundo reportagem da revista britânica The Economist.

    “Essas crianças não são vítimas. Elas mataram nossos familiares e amigos. Merecem morrer” diz à publicação um líder da oposição armada na Síria. As opiniões quanto a isso são variadas, mas o que é comum é o fato de que esses jovens são expostos à violência desde muito cedo.

    Estima-se que, apenas no Iraque, mais de 2.000 jihadistas menores de idade estejam detidos. Segundo a revista, as prisões se tornaram verdadeiros centros de recrutamento para o Daesh, que lá encontra material humano para suas fileiras de radicais dispostos a tudo.

    “Sem receber atenção especializada, essas crianças informam, aos serem entrevistadas por ativistas de direitos humanos, que são torturadas pelas forças de segurança iraquianas. Vítimas de abusos e abandonadas, elas crescem odiando o Estado”, continua a reportagem.

    Embora não existam números oficiais sobre o número de crianças e adolescentes que integrem o extremismo islâmico, dados da ONU apontam que milhares deles integram exércitos nacionais em sete países e 50 grupos armados em todo o mundo. Surpreendentemente, 40% são meninas.

    Missão e recuperação

    O Daesh é o grupo mais ativo em tais recrutamentos, e os menores fazem de tudo: doam sangue para terroristas feridos, patrulham as ruas, vigiam e executam presos, realizam ataques suicidas, recrutam eles mesmos outras crianças, etc.

    Nas áreas dominadas pelo Daesh, centros são montados para “educar” esses jovens, que são vistos como o futuro da organização. Ao mesmo tempo, nestas mesmas regiões as escolas são fechadas e não resta muito aos adolescentes a não ser integrar as fileiros do grupo terrorista.

    Há até casos de crianças vendidas pela própria família ao Daesh, segundo cita a reportagem. Uma família teria recebido US$ 200 por mês por cada criança recrutada pela organização.

    Organizações como a Child Soldier International se envolvem no trabalho de reabilitação de crianças e adolescentes que já integraram as linhas de grupos terroristas. É um trabalho árduo e difícil, sobretudo quando envolve a reinserção em áreas onde os mesmos viveram episódios de violência e atrocidades.

    O medo de desertar e ser morto também não pode ser desconsiderado. Há ainda o temor de que as próprias forças do Estado voltem a sua fúria contra os jovens que queiram deixar de lado o mundo terrorista. A reportagem concluí que é preciso prestar a atenção nisso, com os olhos no futuro.

    “[Para que] os cachorros jihadistas de hoje não se convertam em leões amanhã dependerá em grande medida da duração desse interesse [em recuperá-los]”, conclui a The Economist.

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    Tags:
    guerra, infância, juventude, direitos humanos, terrorismo, Al-Qaeda, Daesh, Oriente Médio, Síria, Iraque
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