13:45 17 Fevereiro 2020
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    Parece pouco provável que qualquer força externa possa acabar com a guerra na Síria, e ainda menos que possa restabelecer a unidade e a estabilidade desse país árabe, escreve o jornalista Ted Galen Carpenter em um artigo para a revista The National Interest.

    De acordo com o colunista, as contínuas interferências dos EUA na Síria não valem a pena, já que podem desencadear uma nova Guerra Fria com a Rússia, ou até mesmo um confronto direto com o país eslavo.

    "Por agora, é um caminho perigoso, que o nosso país continua preparando", escreveu o jornalista, que sublinhou que "atualmente, a política aplicada pela Rússia na Síria é mais sincera e coerente que a de Washington". Segundo o autor, a administração de Obama deixou claro que o presidente sírio, Bashar Assad, não poderia fazer parte de um futuro governo da Síria.

    No início, a administração Trump parecia ter reconsiderado a abordagem de Obama sobre este tema, dado que o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, declarou que Washington não continuaria pedindo a destituição de Assad. No entanto, pouco depois, Trump acusou as forças do Governo da Síria de estarem por trás de um suposto ataque com armas químicas na localidade de Khan Shaykhun, sem esperar que se realizasse uma investigação independente dos fatos, e atacou a base aérea síria de Shayrat. Após esta reviravolta, Tillerson começou pedindo que Assad deixasse o seu cargo para encontrar uma solução política para o conflito sírio.

    Não obstante, esta não é a única prova de inconsistência dos EUA sobre a Síria desde o início da guerra. O primeiro programa desenvolvido pela administração Obama, que tinha como objetivo identificar e treinar as unidades da chamada "oposição moderada", acabou em fiasco. Como resultado desse projeto, muitas daquelas unidades foram ou capturadas ou rodeadas por outros grupos radicais.

    "O país está flertando com facções que seguem qualquer ideologia, mas que não representam o setor moderado. Um desses grupos é a Frente al-Nusra, que anteriormente foi uma organização afiliada da Al-Qaeda na Síria [ambas proibidas na Rússia]", escreve Galen Carpenter.

    "Além disso, Washington recentemente se encontrou preso em um outro dilema depois de seu aliado na OTAN, a Turquia, ter atacado os curdos sírios que estavam lutando contra o grupo terrorista Daesh [proibido na Rússia], com ajuda dos EUA."

    Nas últimas semanas, o descontentamento de Moscou com a política de Washington chegou a um novo nível depois de os EUA bombardearem as milícias aliadas de Assad no sudeste da Síria. Naquela ocasião, a Rússia afirmou que as forças estavam combatendo o Daesh e que as ações dos EUA haviam favorecido os terroristas.

    "Moscou arrisca muito mais na Síria e no Oriente Médio quanto à sua segurança [do que os EUA]. O norte da Síria está muito mais perto da fronteira com a Rússia, enquanto que a Síria está bem longe dos EUA…e Washington também poderia descarregar responsabilidades e riscos sobre o Kremlin", afirma o autor.

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    Tags:
    ataque químico, ataque aéreo, Donald Trump, Bashar Assad, Barack Obama, Síria, EUA, Rússia
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