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    Coletiva de imprensa dos ministros das Relações Exteriores do Irã, Rússia e Turquia, Mohammad Javad Zarif, Sergei Lavrov, Mevlut Cavusoglu, em Moscou, Rússia, 19 de dezembro de 2016

    Interesses comuns da Rússia, Irã e Turquia enfraquecerão atividades sauditas

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    Oriente Médio e África
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    Na segunda-feira (19), em Moscou foram realizadas as negociações entre chanceleres da Rússia, Irã e Turquia, dedicadas ao conflito sírio. A declaração trilateral tem um ponto muito importante: os três países estão prontos a serem garantes de um acordo entre o governo sírio e a oposição.

    A iniciativa recebeu alta avaliação em Teerã. O especialista iraniano em relações russo-iranianas, Jahangir Karami, professor da Universidade de Teerã, disse à Sputnik Persa que a nova aliança é uma força potente capaz de pôr fim à crise síria.

    "Penso que a nova aliança trilateral e a assinatura da declaração conjunta é um passo importante, o começo de um processo construtivo para regularizar a crise síria. Os três atores mais influentes, que exercem um papel-chave neste processo são o Irã, a Rússia e a Turquia", disse ele, acrescentando que a estratégia de regularização da crise promovida no passado pelos países europeus, EUA e alguns países árabes não resultou.

    Na sua opinião, o encontro trilateral e a declaração são o resultado da cooperação militar russo-iraniana na luta contra o terrorismo e na libertação de Aleppo. A Turquia perdeu a esperança para derrubar o presidente sírio Bashar Assad e, tendo revisto a sua política, sentou-se à mesa de negociações.

    Entretanto, alguns especialistas iranianos duvidam que as intenções do novo aliado na frente síria sejam honestas. O pesquisador do Instituto Científico Iraniano de Estudos Estratégicos do Oriente Médio, Mohammad Ali Mohtadi, disse à Sputnik Persa que a declaração trilateral é um documento importante, mas somente se a Turquia cumprir as responsabilidades assumidas.

    "O evento-chave da mudança da situação política na região <…> foi o assassinato do respeitável embaixador russo em Ancara. Achar que este crime foi cometido por um indivíduo exclusivamente por motivos pessoais é um sinal de que a propaganda do Ocidente, da Turquia e Arábia Saudita contra a Rússia relativamente à libertação de Aleppo é forte e influencia a mente das pessoas. Este ato terrorista é um motivo para a Turquia abandonar a sua propaganda, mudar a estratégia e realizar um diálogo político", disse.

    Na sua opinião, se a Turquia contribuir decisivamente para a investigação do assassinato do embaixador russo em Ancara, será claro que as intenções turcas são verdadeiras.

    "Eu ainda duvido pessoalmente disso no que toca à parte turca. Houve precedentes quando responsabilidades assumidas não foram implementadas", disse ele.

    Além disso, o especialista afirmou que a aliança de três países pode enfraquecer a influência geopolítica da Arábia Saudita e Qatar – principais adversários da regularização da crise síria e apoiantes dos terroristas.

    "A influência da Arábia Saudita e do Qatar sobre os desenvolvimentos na Síria já é visível. O envolvimento destes dois países nos assuntos internos da república árabe [da Síria] foi feito através da Turquia que, tendo assinado o acordo com Moscou e Teerã, fez alusão de que não convém contar com a sua cooperação futura com o Reino da Arábia Saudita", disse acrescentando que, ao mesmo tempo, nem a Arábia Saudita, nem o Qatar pretendem abandonar a sua política em relação à Síria.

    "Por isso, tudo o que está acontecendo no Oriente Médio, bem como o encontro trilateral dos chanceleres em Moscou é uma verdadeira prova para a Turquia. Ou seja, saber se Ancara conseguirá enfraquecer a influência da Arábia Saudita e do Qatar sobre a crise síria ou não", disse.

    Ao mesmo tempo, há possibilidade de que, tendo perdido a Turquia como o seu aliado, os países árabes venham a encontrar um outro país – a Jordânia, por exemplo – que tem fronteira comum com a Síria no nordeste. Causando o caos interno neste país, estes dois estados podem reforçar ali a sua atuação e influenciar a crise síria.

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    Tags:
    política, declaração, influência, envolvimento, conflito, Qatar, Arábia Saudita, Síria, Rússia, Turquia, Irã
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