15:57 27 Fevereiro 2020
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    Ofensiva de Mossul (96)
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    A quinta-feira marcou um mês de intensas operações militares para retomar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, do Daesh. A ofensiva foi muito divulgada, no entanto, a crise humanitária no país só aumentou e parece estar longe de acabar.

    Um mês depois do início da ofensiva muito publicitada para retomar a segunda maior cidade do Iraque, Mossul, ao Daesh, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA — sigla em Inglês) afirmou que a operação só aumentou a já terrível situação humanitária no Iraque.

    "O dia de hoje marca um mês de intensas operações militares para retomar a cidade de Mossul… Estes últimos desenvolvimentos agravam ainda mais a crise humanitária em um país onde 10 milhões de pessoas já precisavam de ajuda", disse o OCHA na quinta-feira em um comunicado conjunto com as agências de ajuda humanitária.

    Militares das Forças Especiais do Iraque
    © AP Photo / Marko Drobnjakovic
    Militares das Forças Especiais do Iraque

    Comentando a ausência de progresso na ofensiva, o especialista militar russo, Anton Mardasov, observou que é bastante difícil analisar o que está acontecendo no terreno nessa área, uma vez que praticamente todas as informações fornecidas à mídia pelo comando iraquiano não correspondem à realidade.

    "Os jornalistas foram excluídos, exceto algumas equipes cujas filmagens têm circulando por todo o mundo, embora elas não tenham acesso à linha de frente", disse ao RT Mardasov, chefe do Departamento de Conflitos do Oriente Médio do Instituto de Desenvolvimento Inovador, baseado em Moscou.

    Ele observou em seguida que há duas semanas o governo iraquiano anunciou orgulhosamente que as forças do governo retomaram seis bairros de Mossul. No entanto, logo depois eles foram expulsos pelos islamistas, disse ele.

    "Essas mensagens foram enviadas no decorrer da campanha presidencial americana a fim de jogar a favor da protegida do atual presidente dos EUA", disse o especialista, acrescentando que, além disso, cenas de filmagens encenadas na área se tornaram uma prática comum.

    Ele citou como exemplo uma reportagem recente do campo de batalha perto da cidade de Fallujah, que apresentou corpos e um combatente da milícia xiita, que estava jogando uma bandeira do Daesh no chão. No entanto, após o zoom, fica claro que isso foi encenado apenas para a câmera usando adereços.

    Outro especialista militar, Mikhail Khodarenok, apresentou suas razões para a falta de progresso no Iraque.

    "Mossul está sendo atacada por um grupo misto: forças do governo iraquiano, com cerca de 29 mil militares, peshmerga curda, com até 4 mil combatentes, milícias xiitas e sunitas, até 10 mil. Além disso, há até 500 militares das forças especiais americanas, mais de 200 militares turcos e cerca de 500 italianos. É muito difícil organizar um grupo destes", sugeriu ele.

    Ele observou seguidamente que as forças especiais dos EUA basicamente indicam alvos para as forças aéreas da coalizão liderada pelos EUA. No entanto, eles frequentemente atacam civis e infraestruturas da cidade, o que já resultou em mais de 1000 vítimas civis.

    Entretanto, o bureau da Sputnik Árabe obteve recentemente fotos de um decreto dos líderes do Daesh (ISIL/ISIS) instruindo seus militantes a não atacar aeronaves da coalizão liderada pelos EUA que operam sobre Mossul e seus arredores.

    O documento disse explicitamente aos jihadistas para não atacar nenhum avião da coalizão sobre Mossul ou seus subúrbios.

    Ambos os especialistas militares sugeriram, assim, que a operação iraquiana parece estar longe de terminar.

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    militantes, ataque, Mossul, Iraque
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