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    Presidente norte-americano Barack Obama responde às questões durante a conferência de imprensa no Pentágono, 4 de agosto de 2016

    'Obama realmente queria ver progressos na Síria'

    © AFP 2019 / BRENDAN SMIALOWSKI
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    Os oficiais e comandantes militares norte-americanos expressaram-se contra a cooperação com a Rússia na Síria porque o Pentágono persuadiu o Congresso a aumentar as despesas militares depois de anos de cortes do orçamento.

    Apresentando a Rússia como a "maior ameaça" à segurança nacional dos EUA ou descrevendo o seu comportamento como "agressivo" e "alarmante" para poder ter mais recursos financeiros, tais pedidos de fundos não pareciam convincentes se o acordo fosse atingido entre o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fossem implementados. Neste caso, as Forças Armadas da Rússia e dos EUA teriam sido obrigadas a coordenar as suas operações antiterroristas na Síria a um nível sem precedentes.

    "Na minha opinião, o Pentágono estava totalmente contra isso. Tinham o seu próprio interesse burocrático em não desenvolver a cooperação com a Rússia, o que é extremamente importante para eles. A razão é que eles estão no que chamam uma nova Guerra Fria com a Rússia e estão recebendo muito dinheiro do Congresso com base nisso", disse ao RT Gareth Porter, jornalista investigativo. "Assim, não querem que essa ideia promissora seja desafiada pela ideia de estreita cooperação militar com a Rússia na Síria".

    Mas isso não é o que a liderança civil norte-americana tem em vista. A Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano fizeram muitos esforços para buscar meios de resolver o conflito sangrento que dura há cinco anos.

    "Penso que Kerry seguia ordens do Presidente sobre isso. É claro que o presidente Obama tem sido fiel à cooperação com a Rússia como o principal aspeto da estratégia norte-americana na Síria nos últimos anos", notou Porter.

    Por seu turno, o Pentágono tentou arruinar esta estratégia em 2016, acrescentou.

    O editor-chefe do jornal Rússia nos Assuntos Globais, Fyodor Lukyanov, ecoou esta opinião, dizendo que há visões divergentes em Washington sobre como lidar com a crise síria.

    "O Departamento de Estado e o Presidente Obama realmente querem ver progresso na Síria, enquanto o Pentágono fez tudo o que podia para sabotar a assinatura do acordo", disse ao jornal russo Vzglyad.

    O analista também disse que a situação na Síria entrou em um beco sem saída. Na sua visão, isso não se refere a Lavrov e Kerry mas ao equilíbrio de poderes existente, que chamou de "típico dos conflitos deste tipo".

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    opinião, cooperação, acordo, Pentágono, Barack Obama, Síria, Rússia, EUA
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